Curitiba - O ex-diretor de Câmbio e Relações Internacionais do Banco do Estado do Paraná (Banestado) Aldo de Almeida Júnior, que também respondeu pela vice-presidência do banco, foi preso preventivamente ontem por determinação do juiz Sérgio Fernando Moro, da 2 Vara Criminal Federal de Curitiba. Aldo, que havia sido preso anteriormente por 23 dias, teve nova ordem de prisão com base no suposto envolvimento do ex-diretor com a destruição de provas importantes para o processo que investiga a remessa ilegal de divisas para o exterior, através das chamadas contas CC-5.
Aldo é acusado em ação penal de ser um dos responsáveis pelo envio de mais de US$ 1,9 bilhão para contas do Banestado em Nova York e para paraísos fiscais. O mandado de prisão foi cumprido por volta das 16 horas por policiais da força-tarefa, coordenada pelo delegado Luiz Pontel de Souza. ''Os documentos que desapareceram eram referentes a contas correntes de laranjas em Foz do Iguaçu com movimentação expressiva'', informou Pontel. Ele não quis entrar em detalhes, porque o processo corre em sigilo de Justiça.
Na argumentação do mandado de prisão expedido e cumprido ontem, o juiz Sérgio Moro diz que o decreto tem por objetivo ''a preservação da instrução probatória e a garantia da aplicação da lei e da ordem pública''. Moro entendeu ainda que havia indícios de risco de fuga por causa da ''omissão de Aldo dos valores ganhos de forma ilícita e do patrimônio adquirido através destes ganhos''. A prisão foi cumprido dentro do escritório de advocacia do ex-diretor, na Praça Osório, centro de Curitiba.
A Folha ligou no final da tarde de ontem para a casa e para o escritório do advogado Alcides Bittencourt Pereira, que defende Aldo, mas não o encontrou. Em recente entrevista à Folha, quando deixou a prisão, Aldo negou que tivesse conhecimento de qualquer tipo de remessa ilegal de dólares para o exterior através das contas CC-5 do Banestado. Ele se disse ''vítima de uma violência baseada numa acusação infundada, com suposições e hipóteses da participação dele na remessa de divisas para o exterior de forma ilegal''.
O ex-vice-presidente do banco disse que a participação dele no processo de abertura de contas no Banestado sempre foi à distância. Ele mesmo, quando informado de irregularidades através de auditorias internas, teria mandado que as contas suspeitas fossem canceladas e teria produzido uma cartilha orientando sobre as normas técnicas que deveriam ser seguidas para que os gerentes evitassem lavagem de dinheiro.

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