Curitiba - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi preso pela segunda vez na tarde de ontem, em sua residência na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, por agentes da Polícia Federal (PF), depois da 13ª Vara Federal de Curitiba expedir uma ordem de prisão preventiva, vendo risco de fuga para o exterior. A decisão acatou um pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná com base em provas de que o ex-diretor da estatal mantinha US$ 23 milhões em contas no exterior. As novas informações foram obtidas mediante cooperação internacional entre o MPF e o Ministério Público suíço. O órgão do país europeu também solicitou o bloqueio dos US$ 23 milhões, além de outros R$ 5 milhões, que seriam de familiares de Costa e do doleiro Alberto Youssef.
Conforme o despacho do juiz Sérgio Moro, as informações repassadas pela Suíça indicam "uma dúzia de relações bancárias, junto a cinco estabelecimentos financeiros, que seriam geridas pelas filhas do ex-diretor da Petrobras, Arianna Azevedo Costa Bachmann e Shanni Azevedo Costa Bachmann, e seus genros, Marcio Lewkowicz e Humberto Sampaio de Mesquita". O documento ainda indica que as contas são "formalmente tituladas por empresas tais como White Candle Invest S/A, Quinus Services, Omega Partners, Internacional Team Enterprise, entre outras". Ou seja, foram abertas nos nomes das empresas, mas eram movimentadas pelos familiares; um recurso usado para dificultar que as autoridades encontrem e sequestrem os valores. Segundo o despacho de Moro também foi identificada uma conta que seria movimentada por um funcionário do doleiro Youssef.
Conforme o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, a decisão se fez necessária porque "há risco à investigação e à instrução, não só em relação às ações penais em andamento, mas também quanto às investigações complementares em andamento pela Polícia Federal".
Costa está detido na Superintendência da PF no Rio e deve ser conduzido para Curitiba de avião ainda hoje. Ele chegou a ficar preso por 59 dias e foi liberado no dia 19 de maio após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, atendendo solicitação dos advogados de Costa.

MPF
De acordo com o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa do MPF do Paraná, a descoberta dos valores milionários mantidos no exterior e da existência de um passaporte português que só foi entregue após ele deixar a carceragem da PF, ainda em maio, deixa clara a possibilidade de fuga do País. "É uma medida extremamente importante até porque ele é uma "peça chave" dentro das investigações por possuir ligações estreitas com o doleiro Alberto Youssef. Com estas novas informações o pedido se fez necessário pois existe o risco de fuga", ressaltou.
O procurador também afirmou que com o retorno das ações penais e dos inquéritos da Lava Jato para primeira instância, os trabalhos da força-tarefa serão intensificados. "Continuamos auxiliando o procurador geral da República (Rodrigo Janot) durante a suspensão determinada pelo ministro do STF, mas é claro que esta paralisação gerou prejuízos ao andamento processual, principalmente porque novos documentos ainda precisam ser analisados pela PF e pelo MPF. E o material é extenso e complexo", completou.

Defesa
O advogado de defesa de Paulo Roberto Costa informou ontem que vai recorrer da prisão preventiva e pedir que o cliente aguarde o julgamento em liberdade. "Essa prisão é uma precipitação, uma medida quase de justiçamento em detrimento das regras inerentes ao processo legal", apontou Nélio Machado. O advogado ainda questionou o pedido de prisão preventiva por causa de uma "suposta conta bancária" que Costa manteria no exterior. "Não tenho essa notícia. A prisão é resultado de informação que teria chegado ao conhecimento do juiz e que precisa ser provada. Isso deve ser apurado", afirmou Machado. O advogado também criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal, de terça-feira, de devolver o processo à Justiça do Paraná sem que a defesa de Costa pudesse se manifestar no julgamento sobre a competência do caso, como já havia solicitado. (com Agências)

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