Curitiba - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi liberado ontem à tarde da carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, determinou, em caráter liminar, a soltura de todos os envolvidos ainda presos da Operação Java Jato. O juiz solicitou ainda que a Justiça Federal do Paraná envie à Suprema Corte todos os inquéritos e ações penais relativos à investigação da Polícia Federal (PF). Pela decisão do STF estão suspensos os processos e mandados de prisão por entender que pode ter havido "ilegalidade" nos atos cometidos pelo juiz federal Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelo caso.
Zavascki afirmou que o magistrado do Paraná deveria ter remetido o processo ao STF assim que surgiram os primeiros indícios de envolvimento de deputados federais com o suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações da PF apontaram ligações entre os deputados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (Solidariedade-BA) com o doleiro Alberto Youssef, um dos líderes da mega quadrilha. A Constituição prevê que deputados federais e senadores só podem ser investigados ou processados em ações abertas no Supremo.
Paulo Roberto Costa saiu da PF por volta das 16h30, sem falar com a imprensa. Conforme seus advogados, ele deve retornar ao Rio de Janeiro, onde tem residência, e aguardar o julgamento na cidade. Seu passaporte foi apreendido pela PF. Costa estava preso desde o final de março. A decisão de Zavascki refere-se a um pedido de liminar feito por Fernandes, o qual reivindicava a incompetência de Moro para comandar as investigações da Lava Jato.
Até o início da noite de ontem, somente o ex-diretor da Petrobras havia sido liberado. À tarde, Moro pediu esclarecimentos ao STF sobre o alcance da decisão de Zavascki, "já que não foram nominados os acusados que devem ser soltos e os processos que devem ser remetidos ao STF". Até o fechamento da edição, o STF ainda não tinha se manifestado sobre o pedido de esclarecimento.
Os envolvidos que aguardavam a decisão de Brasília são Alberto Youssef, Raul Henrique Srour, Nelma Kodama, Carlos Alberto Pereira da Costa, Lucas Pacce Junior, Carlos Habib Chater, Rene Luiz Pereira, André Catão de Miranda, André Luis Paula dos Santos e Ediel Viana da Silva. Maria de Fátima Stocker está presa na Espanha e Sleiman Nassim El Kobrossy segue foragido.

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