Rio - O ex-diretor-geral da Fundação Parque de Alta Tecnologia de Petrópolis (Funpat), Jacques de la Saigne Botton, desmentiu ontem as afirmações do ex-presidente da Loterj Waldomiro Diniz que dissera que, quando presidiu o órgão, recebeu da fundação uma complementação salarial de cerca de R$ 8 mil mensais. Em depoimento à CPI da Loterj e do Rioprevidência da Assembléia Legislativa fluminense, Botton garantiu que, em seu período na entidade, nada foi pago nem a Waldomiro nem a outros diretores da autarquia e lembrou que, por lei, era obrigado a assinar todos os pagamentos da instituição. ''Fiquei chocado com o que ouvi, a Funpat garanto que não pagou'', declarou Botton, que ocupou o cargo de abril de 2002 a dezembro de 2003.
Diniz afirmara à CPI ter recebido pagamentos da Funpat para tentar explicar como, com o salário de R$ 4,5 mil líquidos que recebia na autarquia, morava num apart-hotel no Leblon. Também ex-subchefe de Assuntos Parlamentares do governo federal, Waldomiro foi demitido desse cargo em fevereiro passado, após a divulgação de um vídeo em que, em 2002, aparecia negociando propina e contribuições de campanha eleitoral com o empresário de jogos Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A fita iniciou a maior crise do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Parlamentares da comissão assistiram ontem ao vídeo do encontro de Waldomiro com Cachoeira.
Em sessão administrativa, a CPI decidiu que vai prorrogar os seus trabalhos, cujo prazo inicial se encerra no início de junho. A CPI também resolveu fazer diligências em alguns dos 42 bingos do Estado. Hoje, prestará depoimento à CPI o empresário Carlos Roberto Martins, que teria sido colocado fora do mercado de jogos eletrônicos por Cachoeira. Segunda-feira, a CPI vai ao Senado ouvir os depoimentos de Mino Pedrosa, jornalista que prestou consultoria para Cachoeira e foi acusado pelo ex-subchefe de ter ajudado Ramos a chantageá-lo com a fita, e Paulo Wairos, ex-tesoureiro de Geraldo Magela na disputa pelo governo do Distrito Federal em 2002.

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