Ex-diretor da Comurb faz revelações sobre Janene
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sábado, 27 de agosto de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Depois de quase quatro anos no mais absoluto silêncio, o ex-diretor administrativo-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), Eduardo Alonso de Oliveira, voltou a Londrina para se defender. Não apenas isso: primeiro caso de delação premiada no País, Alonso parece estar disposto a contar tudo o que sabe sobre o líder do Partido Progressista (PP) no Congresso Nacional, deputado federal José Mohammed Janene. Em entrevista à revista IstoÉ desta semana, o advogado de 45 anos, ex-aliado e ex-coordenador das campanhas de Janene, o acusa de pagar mesadas de R$ 5 mil a pelo menos 11 vereadores dos 21 que compunham a Câmara Municipal, em 1997, como forma de controlar a base aliada do então prefeito Antonio Casemiro Belinati, hoje no mesmo partido que ele.
Na revista, Alonso explica de que forma Janene teria montado a suposta versão do mensalão em Londrina, sempre se referindo ao parlamentar como o homem que opera, manda e libera dentro do PP. A resposta, segundo ele, justifica a acusação do presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson (RJ), conforme o qual o paranaense é operador do esquema de mensalão em Brasília. A diferença é que, ali, seriam R$ 30 mil distribuídos, afirma Jefferson, no apartamento de Janene na capital federal. A Casa estuda o pedido de cassação de ambos.
A Folha conversou reservadamente com Alonso esta semana, em um hotel do Centro de Londrina. Durante cerca de uma hora, ele fez uma série de referências irônicas ao deputado como sendo ele ''o rei do mundo'', ou ''a única pessoa que não sofreu nenhuma consequência'' do escândalo Ama-Comurb. Questionado sobre a participação que Janene teria nas contratações de empresas por meio de licitações fraudulentas, como relatam ações civis do Ministério Público, Alonso se esquivou. ''Só sei que ele vem flanando como rei do mundo José Janene é o único que só teve lucro'', disse.
Apesar de mirar a artilharia contra Janene, na entrevista à revista, Alonso garantiu ter retornado à cidade ele vivia desde 2001 em Ji-Paraná, Rondônia para apresentar à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina documentos que, segundo ele, comprovam falso testemunho do ex-diretor-presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, e a irregularidade de 212 contratações dentro do órgão. Ele falou sobre a ação civil pública por improbidade administrativa em figura como um dos 53 réus citados.
Ajuizado em 1998 pelo promotor Bruno Gallati, o documento pede o ressarcimento de R$ 58 mil ao erário público como dano pelas contratações feitas sem teste seletivo. Em julho passado, oito pessoas desse grupo prestaram depoimento ao juiz da 10 Vara Cível de Londrina, Álvaro Rodrigues Júnior. Como residia fora do Estado, requereu no processo que fosse ouvido por carta precatória. Mas agora avisa que vai se ''defender pessoalmente''.
Munido da ata da 10 assembléia da Comurb, Alonso garantiu que o documento apresentado comprova falsificações feitas pelo ex-diretor-presidente da companhia, Cléber Tóffoli, que seria, diz, o responsável pelas contratações irregulares. Em outros, confirma a delegação de poder outorgada pelo prefeito a Kakunen Kyosen, ex-auditor da Prefeitura de Londrina e posterior presidente da Comurb, em ofícios. Na avaliação de Alonso, a suposta prova derrubaria argumentos da defesa de Kyosen de que ele não exercia o cargo de fato e sim, se subordinava às ordens de Alonso.
Sobre Tóffoli, comentou que ele teria apresentado uma ata assinada pelos conselheiros, a qual ''depois foi mudada, convenientemente. Eu era secretário executivo na época, e, quando o esquema entornou, fizeram outra ata, mas eu tinha essa e a original. Não a destruí, como me pediram'', completou. Se há mais por vir? ''Me coloquei à disposição, em função do acordo que tenho com os promotores, mas apenas dentro do que eu sei. Depois de 1999, não sei mais nada''.


