Curitiba - A reunião da CPI da Espionagem, na Assembleia Legislativa, terminou ontem com a prisão do ex-diretor-administrativo da Casa Francisco Ricardo Neto. Segundo o presidente da CPI, deputado Marcelo Rangel (PPS), Neto entrou ''em extrema contradição'' durante depoimento. Logo quando acabou a reunião, Rangel determinou que Neto fosse acompanhado pelos seguranças da Casa e levado ao Centro de Operações Policiais Especiais da Polícia Civil (Cope). Até o fechamento da edição, no início da noite, Neto ainda estava no Cope. ''Está na lei. Se o depoente faltar com a verdade, o presidente da CPI pode dar voz de prisão. Eu cumpri com o meu dever'', justificou Rangel.
Já o advogado de Neto, Marden Esper Maués, classificou a atitude de Rangel de ''covarde'' e disse que vai protocolar na Corregedoria da Casa uma representação contra o pepessista por abuso de autoridade. ''Além de não ter capacidade técnica para conduzir uma CPI, ele não tem capacidade jurídica para saber o que é falso testemunho. Ele está estreiando na condução de uma CPI. Acho que ele tem que voltar para os bancos escolares'', atacou o advogado.
Neto prestou dois depoimentos à CPI da Espionagem. No primeiro depoimento, conforme Rangel, Neto disse que a aquisição de aparelhos bloqueadores de celulares foi feita a partir de um pedido de Sérgio Monteiro, ex-chefe de gabinete do deputado Nelson Justus (DEM), ex-presidente da AL. Já no segundo depoimento, ontem, Neto disse que instalou tudo sozinho, sem conhecimento de outras pessoas. ''Ele foi desmentido pelos peritos da Embrasil e da Polícia Científica, que disseram que precisava de um acompanhamento técnico para fazer a instalação'', disse.
O advogado de Neto minimizou a contradição. ''Houveram algumas diferenças de depoimentos. Quem instalou, quem não instalou, questões técnicas. Isso é para justificar toda a besteira que ele fez desde o primeiro dia de criação dessa CPI, quando ele foi para a imprensa declarando que eram captadores de sinal, de conversa ambiente'', disse Maués.
A CPI da Espionagem começou no início do ano, quando o novo presidente da AL, deputado Valdir Rossoni (PSDB), determinou uma varredura e encontrou alguns equipamentos escondidos na Casa. Mas os deputados ainda não têm certeza sobre a origem dos aparelhos e suas funções.

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