Ex-diretor da AL é preso em Brasília com R$ 70 mil
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sábado, 29 de novembro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná Abib Miguel, de 74 anos, conhecido como Bibinho, foi preso ontem no aeroporto Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília, no momento em que recebia cerca de R$ 70 mil de Edivan Bataglin, administrador de uma de suas propriedades em Goiás. A detenção faz parte da chamada operação "Argonauta", desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), com a participação das unidades do Distrito Federal, de Goiás, do Amapá e do Rio Grande do Sul.
Além de Bibinho e Edivan, foram presos dois filhos do ex-diretor: Luciana de Lara Abib, em São Paulo, e Eduardo Miguel Abib, na capital paranaense. Outra pessoa ligada a ele, também responsável por cuidar dos bens da família, Sandro Bataglin, foi detida entre Rebouças e Irati, no interior do Paraná. Todos os suspeitos tinham ordem de prisão temporária expedida pela 4ª Vara Criminal de Curitiba. O Gaeco cumpriu ainda 14 mandados de busca e apreensão e três conduções coercitivas em Macapá e em Caxias do Sul, na serra gaúcha.
Segundo o coordenador estadual do órgão, Leonir Batisti, as investigações começaram há seis meses e têm como objetivo identificar e apreender fazendas, maquinários e empresas utilizadas por Bibinho, mas colocadas em nomes de terceiros, para "lavar" o dinheiro desviado da AL entre 2000 e 2010. O esquema, conhecido como "Diários Secretos", envolveu 97 funcionários fantasmas ou laranjas, que recebiam da Casa sem trabalhar. Conforme auditoria feita pelo Gaeco, os valores atualizados, que à época eram sacados diretamente em agências bancárias, chegaram a R$ 216,8 milhões em novembro de 2014. O caso já foi segmentado em oito subprocessos, a partir de duas ações criminais propostas pelo MP.
"Até o momento, não houve a recuperação de nenhum desses valores. Por isso, fomos nos certificar onde estão os bens, ver a origem, com a finalidade de completar o sequestro que foi determinado", explicou Batisti. Também foram objeto dos mandados documentos, computadores e celulares, entre outros itens. A operação conta com a participação de 80 profissionais, incluindo promotores de Justiça, integrantes das unidades do Gaeco e policiais civis e militares.
Bibinho foi condenado duas vezes neste ano, em janeiro e abril, ambas por peculato (apropriação indébita de verbas públicas), formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. No entanto, seguia solto, por ser réu primário e porque as condenações não transitaram em julgado. Somadas, as penas ultrapassam 37 anos em regime fechado. Procurado pela FOLHA, o advogado de Bibinho Eurolino Reis afirmou que ainda não tinha conhecimento do teor do novo processo, para dar uma posição jurídica sobre o que aconteceu. A prisão temporária dura cinco dias, que podem ser prorrogáveis por mais cinco.


