Ex-diretor alega que problema foi na antecipação da soja
Curitiba - Ogarito Linhares disse ontem, em entrevista à Folha, que o foco das investigações está sendo desviado. Ele explicou que a carga dada como garantia foi liberada com o aval dele por pertencer a outra empresa, a MGT do Brasil. ''O que acontece é que ele (Valdir Neves) autorizou o embarque de forma incorreta. Quando antecipou a soja ele teria que ter pego uma carta de garantia da empresa para fazer o bloqueio. Confiou que a carta seria entregue em seguida e não foi'', justificou Ogarito.
Documentos encaminhados ontem à Folha comprovam que a antecipação da soja para a Uninave ocorreu no dia 5 de outubro de 2003. No dia 13, a Uninave apresentou 2,5 mil toneladas de farelo de soja como garantia, o que já era irregular já que carga de soja teria que ser trocada por carga de soja. No dia 20 de outubro, a Appa recebeu um informe da MGT do Brasil de que a carga não pertencia a Uninave e que dava um prazo de 12 horas para que o farelo de soja fosse liberado sob pena de caracterizar como crime de apropriação indébita. No dia 31, o farelo de soja foi liberado e a Appa solicitou nova garantia da empresa devedora. ''O problema está no início do processo de antecipação. Houve erro e foi na liberação da soja para a Uninave'', insistiu ele.
A Folha procurou ontem a Uninave. No entanto, o telefone da empresa não atendeu durante toda a tarde. A CPI do Porto se reúne novamente na segunda-feira, às 17 horas, quando irá ouvir o presidente do Conselho de Autoridade Portuária, José Carlos Mendes e o representante da empresa Bandeirantes de Dragagem, Ricardo Sudaia. (L.P.)





