Brasília - Além de ter perdido o mandato parlamentar, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), teve outro prejuízo. Ao renunciar, Severino deixou de ter, a princípio, o direito de ser investigado e julgado perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Como qualquer cidadão comum, ele terá agora de defender-se na Justiça Federal de primeira instância, pois ex-deputado não tem o benefício do foro privilegiado. No entanto, a defesa poderá alegar que o caso tem de permanecer no STF porque, nas investigações, houve referência a outro deputado, Gonzaga Patriota (PSB-PE), que, como parlamentar, tem foro no tribunal.
Na manhã de ontem, horas antes do discurso no qual o presidente da Câmara renunciou ao mandato, complicou-se a situação judicial do ex-parlamentar. Isso porque o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, pediu ao ministro Gilmar Mendes, do STF, que abra, formalmente, um inquérito para investigar se o ex-presidente da Câmara recebeu ''mensalinho'' do empresário do ramo de restaurantes Sebastião Buani. Souza também pediu a Mendes que determine a quebra do sigilo bancário e telefônico de Severino e Buani.
Apesar da esperada renúncia do presidente da Câmara, Souza tomou as providências porque estava com o inquérito nas mãos. Segundo o procurador, com a renúncia, o caso deverá ser transferido para a Justiça Federal de primeira instância com o objetivo de apurar suspeitas de envolvimento no recebimento da mesada. Essa transferência estaria de acordo com decisão recente do STF que derrubou uma lei que assegurava o foro privilegiado para ex-autoridades.

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