Ex-deputado nega envolvimento em morte de policial civil
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terça-feira, 08 de março de 2005
Folhapress 
Brasília - O ex-deputado federal Hildebrando Pascoal negou ontem, diante de sete jurados, ter participado, junto com outras cinco pessoas, do assassinato do policial civil Valter José Ayala. Ayala foi morto, em setembro de 1997, em Rio Branco, com três tiros na cabeça. Segundo o Ministério Público Federal, o autor dos disparos foi Raimundo Alves, um dos cinco acusados pelo assassinato que serão julgados em Brasília - quatro nesta semana e dois a partir de 15 de março.
Um dia antes de morrer, a vítima teria assumido o compromisso, com o então desembargador Jersino José da Silva, do Tribunal de Justiça do Acre, de prestar depoimento em que falaria sobre o funcionamento de um suposto grupo de extermínio comandado pelo ex-deputado. Hildebrando, cujo mandato federal foi cassado em 1999, disse que não é ''bandido''. ''Sou um homem íntegro e honrado. Se todos os políticos fossem iguais a mim, o Brasil estaria melhor. Deveriam estar construindo escolas, em vez de presídios.''
Diante dos jurados, em um depoimento que durou cerca de quatro horas, Hildebrando atribuiu a perseguição política, capitaneada pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, os processos judiciais nos quais é acusado de associação para o tráfico internacional de entorpecentes e de pertencer a um grupo de extermínio cuja característica seria serrar os membros de suas vítimas.
Os seus algozes seriam o desembargador Jersino e o procurador da República Luiz Francisco de Souza. Silva é testemunha contra Hildebrando no julgamento em curso. Souza foi quem propôs as primeiras acusações formais contra o deputado cassado.
Ao longo de fala no julgamento, Hildebrando chorou, ao afirmar que todas as acusações contra ele foram plantadas, também com a colaboração do procurador Luiz Francisco, que, como ''militante político'', seria adversário do PFL, partido ao qual ele pertencia.
A previsão é de que o julgamento se estenda até a sexta-feira.


