Agência Folha
De Brasília
O deputado cassado José Gerardo de Abreu, 64 anos, acusado pela CPI do Narcotráfico de comandar o crime organizado no Maranhão, está internado na UTI do Hospital Brasília, no Lago Sul, desde a noite de sexta-feira, porque teria tentado suicídio, de acordo com a versão de seu médico particular Heverton de Campos Menezes e de seu advogado Pedro Calmon. O médico foi acionado pelo advogado. Ele trabalha em uma clínica chamada SOS Check-Up International.
A única informação oficial do Hospital Brasília sobre o caso até o fechamento desta edição foi um boletim médico divulgado às 10h30. O boletim, assinado pela equipe da UTI, afirma que o ‘‘paciente tem quadro clínico estável, mantendo-se sonolento, atendendo parcialmente aos estímulos e às solicitações. Sinais vitais estão dentro da normalidade. Respira espontaneamente.’’
Segundo o médico, o deputado cassado estava em coma e corria risco de vida porque havia tomado 30 comprimidos de Lexotan, totalizando 180 miligramas, além de outros três medicamentos, sendo outro tranquilizante (Lorasepan) e dois usados contra hipertensão. Menezes afirmou que José Gerardo estava inconsciente quando o internou.
A versão que circulava entre funcionários do hospital, que não quiseram se identificar, era diferente. José Gerardo teria chegado consciente ao hospital Brasília e Menezes teria forçado sua sedação. A suspeita acionou a Comissão de Ética do hospital, que deve investigar o caso. José Gerardo estava foragido desde que teve o mandato cassado pela Assembléia Legislativa do Maranhão por causa das acusações feitas pela CPI e era procurado pela PF.
Na madrugada de ontem, o médico Menezes afirmou que foi chamado pelo advogado de José Gerardo, Pedro Calmon, às 17h30 de sexta-feira. Segundo ele, a tentativa de suicídio teria ocorrido às 15 horas. ‘‘Constatamos a ingestão dos comprimidos pelo frasco presente e pela grande quantidade de comprimidos que conseguimos retirar do estômago do paciente com a lavagem gástrica feita no local’’, disse Menezes.
De acordo com o médico, o ex-deputado é hipertenso. Na madrugada, ele disse que José Gerardo estava em coma. Pela manhã, afirmou que o paciente havia saído do estado de coma tóxico e que estava sedado. ‘‘Verifica-se algum nível de consciência, mas, por questão de segurança do próprio paciente, ele está sendo mantido inconsciente porque tem alucinações e fantasias de morte’’, afirmou Menezes.
A Polícia Federal recebeu um telefonema de um funcionário do hospital na noite de sexta-feira, logo após José Gerardo ter sido atendido. Por volta das 23 horas, a equipe de plantão da PF já havia se deslocado ao hospital. A superintendência da PF no Maranhão foi acionada pela equipe de plantão e transmitiu o mandado de prisão à Justiça de Brasília por meio de fax. Policiais federais, armados com submetralhadora HK, estão fazendo a vigília na porta da UTI do hospital.
O também advogado do ex-deputado, Mário Gilberto de Oliveira, disse que José Gerardo está em Brasília desde o dia 5 de novembro fazendo exames.

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