Curitiba - A defesa do ex-deputado estadual Carlos Simões entrou ontem com pedido de habeas corpus para que ele deixe o Centro de Triagem II, no Complexo Penitenciário de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). O pedido do advogado de defesa Michel Saliba Oliveira foi distribuído e está para ser julgado pelo desembargador Valter Ressel, da 2 Vara Criminal de Curitiba, que tem sessões segundas e terças-feiras. As informações foram repassadas pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Até o fechamento desta edição, o ex-deputado continuava preso, de acordo com informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).
Simões foi preso preventivamente na última quinta-feira, por crime de peculato, a pedido do juiz substituto César Maranhão de Loyola Furtado, da 9 Vara Criminal de Curitiba, por mandado expedido em setembro de 2011. No despacho, o juiz justifica a necessidade da prisão porque Simões nunca era encontrado nos endereços citados em um processo judicial, para que prestasse depoimento. Ele chegou a ser convocado por meio de edital publicado em jornais. Sem resultado, a Justiça pediu a prisão para que ele pudesse, enfim, ser ouvido. Se ele não for citado, os prazos processuais e todo o trâmite judicial ficam travados.
O TJ não confirmou a qual processo se refere o depoimento necessário de Simões, mas informações extraoficiais apontam para a ação judicial do chamado Esquema Gafanhoto, que teria funcionado na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná no início dos anos 2000, por meio do qual diversos funcionários de deputados recebiam o salário em uma única conta corrente, o que permitia desvio de dinheiro. Havia também funcionários ''fantasmas'' no esquema. Simões foi o primeiro parlamentar a ser denunciado à Justiça por participação na suposta fraude.
Esse não foi o único problema envolvendo Simões na vida pública. Em 2009, Simões teve seu último mandato como deputado estadual cassado, após ser acusado por crime de abuso do poder econômico e uso irregular de meios de comunicação pela Justiça Eleitoral. Ele teria usado seu escritório político em Curitiba para distribuição de cadeiras de roda, muletas e dentaduras em troca de votos, durante campanha eleitoral em 2006.

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