Curitiba O ex-deputado estadual e ex-vereador de Curitiba Aparecido Custódio da Silva (PPB) foi preso ontem por volta das 17 horas por integrantes da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em cumprimento a uma decisão do Tribunal de Justiça (TJ). Ele estava na casa de amigos e, segundo informações do coordenador-geral da PIC, Ramatis Fávero, não resistiu à prisão. Custódio foi levado para o Centro de Triagem e hoje deve ser transferido para a Prisão Provisória do Ahú.
Custódio teve a prisão preventiva decretada por unanimidade pela 1 Vara Criminal do TJ no final de setembro. Mas como ele disputava as eleições, a prisão só pôde ser efetivada ontem. Segundo a lei eleitoral, a prisão de candidatos é proibida desde o dia 20 de setembro até 48 horas após as eleições.
Os desembargadores do TJ entenderam que a prisão era necessária para garantir o bom andamento do processo de investigação. O ex-parlamentar responde ação penal por crime de peculato e concussão (desvio de verba pública da Câmara Municipal de Curitiba e exigência de vantagens pessoais indevidas, em razão do cargo).
De acordo com a Promotoria do Patrimônio Público, entre janeiro de 1993 e março de 2000, quando exercia mandato de vereador, Custódio teria desviado R$ 1,59 milhão, desconsiderando a correção monetária do período. Segundo a acusação, ele se apropriava do salário de funcionários-fantasmas e de parte de salário de assessores e outros funcionários do seu gabinete com cargo em comissão.
Um dos advogados do ex-parlamentar, Reginaldo Nogueira Guimarães, disse que seria encaminhado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de habeas corpus. ''Estamos bastante confiantes que conseguiremos esse habeas corpus porque essa é a prisão mais arbitrária que eu já vi'', declarou o advogado, salientando que Custódio tem residência fixa e patrimônio em Curitiba.
Em entrevista à Folha quando a prisão foi decretada, Custódio declarou que a decisão tinha motivação política, já que era candidato. Ele contou ainda que o processo foi aberto em 1998, quando ele também era candidato. ''Os meus três ex-funcionários que fizeram a denúncia foram trabalhar na época para outros candidatos'', contou.
Custódio disse ainda que fazia questão que essa ação chegasse ao fim para que a sua situação ficasse esclarecida diante da população. ''Sou honesto e vou provar isso na Justiça para deixar bem claro ao Paraná que sou uma pessoa de bem.'' Custódio já exerceu três mandatos de vereador e foi suplente de deputado estadual.

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