Ex-deputado diz estar 'tranquilo'
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Evandro Fadel<BR>Agência Estado 
Curitiba - Acusado de ter recebido R$ 4,1 milhões do esquema conhecido como Mensalão, quando presidia o PP, o deputado federal paranaense aposentado José Janene resumiu em uma palavra o sentimento em relação à aceitação de denúncia contra ele pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro: ''tranquilissimo, tranquilissimo, tranquilissimo''. A princípio, ele disse que todas as respostas deveriam ser dadas pelo seu advogado, mas, questionado, comentou o processo.
AE - A aceitação da denúncia o surpreendeu?
Janene - Era uma denúncia que a gente sabia que ia ser aceita de qualquer maneira. Acho que o Supremo agiu corretamente, pois vai dar oportunidade de provar a inocência de quem é inocente. Quem não é inocente vai ser condenado. Talvez acabe um pouquinho essa polêmica hipócrita que a gente vê todo dia discutida entre juristas e a própria imprensa. Foro privilegiado, não. Foro especial, porque se fosse na primeira instância todos teriam instâncias recursais. Neste processo não há nenhuma instância de recurso. Teve condenação, transita em julgado. Talvez isso abra um pouco a cabeça das pessoas para parar de falar besteira sobre foro privilegiado. Foro especial é para evitar perseguição, no município, do promotor contra o prefeito, no Estado, contra o governador ou contra deputado estadual e federal.
AE - O senhor parece muito tranquilo com a aceitação da denúncia?
Janene - Tranquilissimo, tranquilissimo, tranquilissimo. Você imagina se o Supremo não recebe a denúncia. Ficaria sempre a dúvida na cabeça de cada um. Seríamos condenados diariamente o resto da vida. Agora, dentro desta ação penal, vamos ter oportunidade.
AE - Qual será a linha da defesa?
Janene - É claro que o Ministério Público vai ter que provar o que falou, nós vamos apresentar a contraprova. O STF é a mais alta corte de Justiça do País e é um tribunal isento. Quem for condenado é porque realmente deve e quem for absolvido é porque é realmente inocente.
AE - O senhor tirou alguma lição do que aconteceu?
Janene - Em termos de erros, todos nós cometemos erros. Os acordos políticos que nós fizemos que sirvam de exemplo para não se repetir no futuro. Mas que se faça uma lei.
AE - Como deve ser essa lei?
Janene - A lei eleitoral é uma lei de mentirinha, não é uma lei de verdade. Prestação de contas ainda hoje é só para bater zero com zero. Precisa estabelecer que...você vai fazer talão de notas, vai fazer impresso, qual a gráfica que está fazendo e que quantidade está fazendo. Se houver controle rigoroso você passar a ter seriedade para fazer. Mas hoje a lei é mata-mata. Quanto falta? Falta isso para matar a conta. Então acrescenta isso, mata, e resolve o problema. Contribuições por fora continuam acontecendo.


