Ex-deputado depõe em ação penal eleitoral
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O ex-deputado estadual Antonio Carlos Salles Belinati (atualmente no PP), prestou depoimento ontem na ação penal que tramita na 157 Zona Eleitoral de Londrina, por supostas irregularidades na prestação de contas da campanha de 1998.
A ação, de autoria do Ministério Público Eleitoral (MP), pede a responsabilização do ex-deputado e Kakunen Kyosen, que assinam a prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral, pela suposta omissão de recursos arrecadados e despesas efetuadas durante a campanha.
Conforme a prestação de contas de Antonio Carlos - que exerceu o mandato entre 1999 e 2002, a campanha teria arrecadado R$ 197,5 mil e utilizado R$ 197,4 mil. No entanto, de acordo com a ação, um sistema de anotações das receitas e despesas feito por Cassimiro Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, apreendido pelo MP em abril de 2000 durante as investigações do escândalo AMA-Comurb, traria valores correspondentes à campanha de Antonio Carlos e que não constariam na prestação de contas entregue ao TRE. Em depoimento concedido em um processo na 4 Vara Criminal, Zavierucha admitiu a existência das anotações referentes à movimentação financeira da campanha de Antonio Carlos, que teriam sido preenchidas de próprio punho.
A ação destaca entre esses valores que teriam sido omitidos da Justiça Eleitoral, duas doações à campanha registradas na chamada ''lista de Zavierucha'', pelo então secretário Municipal de Fazenda Ismael Mologni, e pelo ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan. De acordo com o MP, em setembro de 1998, Mologni teria entregue a Zavierucha R$ 355 mil e Pavan, R$ 400 mil. Os R$ 755 mil, conforme denuncia o MP, teriam sido obtidos através de um empréstimo no Banestado. O MP também relaciona cerca de R$ 155 mil que constariam na lista de Zavierucha como pagamentos de serviços prestados à campanha e que não teriam sido declarados.
Antonio Carlos compareceu ao Fórum Eleitoral acompanhado do advogado Glauco Cavalcanti. Ao sair da audiência com o juiz Luiz Sérgio Sweich, o ex-deputado se negou a comentar o depoimento. O advogado, também não se manifestou.
No seu depoimento de quase uma hora e meia, Antonio Carlos basicamente negou ter participado da parte financeira da campanha. Ele também disse ''não ter lembrança de quem o fez, presumindo que foi o próprio partido ou um comitê financeiro, não sabendo nominar nem uma pessoa que pudesse vincular a esse conselho''.
O ex-deputado admitiu que Pavan é ''amigo de muitos anos da família'', mas disse que ''não tem conhecimento que Ismael Mologni e Rubens Pavan tenham feito algum empréstimo bancário em favor da campanha''.
Antonio Carlos declarou ainda que ''não se recorda quem lhe trouxe o documento (prestação de contas) para assinar'' e que ''nunca fez pagamentos pessoalmente e não tratou de questões financeiras''.
O ex-deputado tem 10 dias para arrolar testemunhas de defesa. O juiz agendou para fevereiro os depoimentos das testemunhas de acusação arroladas pelo MP.


