Curitiba - O ex-deputado estadual e ex-vereador de Curitiba Aparecido Custódio da Silva, que ficou 27 dias preso no Centro de Triagem, acusou ontem o Ministério Público (MP) estadual de ''arbitrariedade'' e ''sequestro''. Ele foi preso pela segunda vez no último dia 21 de novembro. No mesmo dia, a auxiliar de cartório juramentada do Tribunal de Justiça (TJ), Rita de Cássia Reis Bento, expediu certidão afirmando que não havia qualquer mandado de prisão em vigor contra Custódio, denunciado por peculato (desvio de verbas públicas da Câmara Municipal de Curitiba) e concussão (favorecimento próprio em detrimento de função pública). ''Fui sequestrado. Sou um preso político em plena democracia'', apontou ele, em entrevista à Folha.
Mesmo tendo permanecido preso por 27 dias, Custódio estava em plena forma ontem. Discursou para a imprensa e alegou estar sendo vítima de um grupo político ligado à antiga administração da Companhia Paranaense de Energia (Copel). De acordo com Custódio, a primeira prisão, ocorrida no ano passado, e as denúncias constantes do MP só foram efetivadas após o afastamento dele da Assembléia Legislativa, onde ficou como deputado estadual por 11 meses. Na votação do projeto de lei de iniciativa da Copel que revogava a lei que permitia a venda da estatal, ele foi afastado do cargo.
O governo do Estado teve receio que Custódio votasse favorável ao projeto de lei de iniciativa popular. Como era suplente, ficou sem cargo. O então secretário de Estado de Indústria e Comércio, Nelson Justus, voltou para a Assembléia e garantiu o quórum para que o projeto fosse rejeitado. ''Infelizmente alguém dentro do MP está a serviço de alguém desse grupo. Enquanto os administradores da Copel que roubaram milhões estão soltos, eu estou sendo preso constantemente'', reclamou.
O tom da entrevista de Custódio ontem deixou claro a sua intenção de voltar ao cenário político, disputando o cargo de vereador de Curitiba no ano que vem. Custódio era do PFL na época das denúncias feitas pelo MP de que ele estaria desviando verbas de funcionários de seu gabinete. Ele deixou o PDT em troca de obras públicas, garantidas pela Prefeitura de Curitiba.
Custódio está protocolando um pedido na Secretaria de Estado de Segurança pedindo proteção policial. Ele alega que está sendo ameaçado através de telefonemas anônimos e bilhetinhos intimidatórios. A assessoria de imprensa da secretaria não garantiu, no entanto, proteção ao parlamentar.
O MP, em nota oficial, disse que a prisão de Custódio foi legal e se baseou numa decisão do próprio TJ. Os promotores não haviam sido intimados da manifestação da 6 Vara Criminal que suspendeu o cumprimento da ordem de prisão determinada pelo TJ. Como não havia sido intimada, de acordo com a nota enviada à Folha, o MP teria agido dentro da legalidade e qualquer crítica ao cumprimento do mandado de prisão preventiva seria injusta e descabida. O MP vai recorrer da decisão que conseguiu libertar Custódio da prisão.
Custódio responde a mais três ações por improbidade adminstrativa e uma ação penal por desvio de verba pública.

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