O ex-deputado federal e atual secretário da Fazenda de Mato Grosso do Sul, Paulo Bernardo (PT), disse ontem que seria uma ‘‘honra’’ ser convidado para integrar o governo do prefeito eleito de Londrina, Nedson Micheleti (PT). Anteontem, Nedson admitiu que pretende chamar Paulo Bernardo para fazer parte do novo secretariado. ‘‘Mas ainda é prematuro falar sobre isso. Ele tem que montar a equipe com tranquilidade. Além disso, sou secretário aqui (MS) e não posso criar instabilidades no trabalho’’, despistou, em entrevista por telefone.
Apesar da cautela, Paulo Bernardo admitiu que tem conversado com Nedson desde a campanha, quando deu sugestões na organização das propostas de governo. Na semana que vem deverá haver um novo encontro. Recentemente, os dois também estiveram juntos na conferência dos prefeitos eleitos pelo PT, que ocorreu em Brasília (DF). ‘‘Trocamos idéias sobre o orçamento do município’’, afirmou.
Questionado se aceitaria o convite para voltar a Londrina, Paulo Bernardo disse que precisaria ‘‘sentar e conversar’’. ‘‘De qualquer forma acho que uma coisa é fundamental: o trabalho aí deve ser muito bem feito. Tenho visto notícias duras, como a de ontem (anteontem) publicada na Folha, sobre a dívida de R$ 500 milhões. Além disso, segundo o próprio Nedson, o município gasta mais do que arrecada. Portanto será um desafio difícil, principalmente pela importância da cidade’’, enfatizou – com discurso de secretário.
Apesar dos problemas, Paulo Bernardo disse que não teria dificuldades para encarar o desafio. ‘‘Vim para ser secretário aqui (MS) e, depois que assumi, em 99, não me espanto com mais nada. Tínhamos quatro salários atrasados, uma sonegação brutal, denúncias de corrupção. E fizemos um esforço muito grande aumentando a arrecadação e cortando despesas. Fechamos novembro com uma arrecadação de ICMS de R$ 100 milhões e, antes, tínhamos R$ 50 milhões. As despesas também subiram, o que nos levou a fazer uma reforma profunda. Então o desafio é perfeitamente possível.’’
Paulo Bernardo também comentou que Londrina hoje carece de uma definição de modelo de desenvolvimento. ‘‘O Plano de Desenvolvimento Industrial aponta para uma saída, mas precisa ser implantado. E é o prefeito que tem que liderar isso, com o engajamento da sociedade. E isso o Nedson já está fazendo, procurando empresários e também com o apoio do Movimento pela Moralização’’, destacou.
Sobre uma eventual resistência por parte de grupos do próprio PT, por conta do apoio que deu ao prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido), no segundo turno das eleições de 1996, ele disse acreditar que o caso está superado. ‘‘Em 96 o PT tinha problemas gravíssimos, com disputas internas. Mas de 98 para cá tivemos um trabalho mais coeso. E a campanha do Nedson teve uma unidade muito grande, com o apoio de todos. Eu, em várias oportunidades, me reuni com ele para ajudar a elaborar as propostas’’ (L.H.)

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