Ex-delegado está preso em Curitiba
Ex-delegado está preso em Curitiba
O ex-delegado-chefe de Telêmaco Borba, Expedito Lopes Alves, está preso desde 17 de março na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba. Ele é bacharel em Direito e está em cela especial. Alves foi denunciado pela promotora Cynthia Maria de Almeida Perri por 25 imputações. Entre elas prevaricação, falsidade ideológica, corrupção e abuso de autoridade. Tomávamos declarações das pessoas e quase sempre o nome dele aparecia envolvido nessas denúncias. Eu o denunciei criminalmente e o juízo decretou a preventiva do delegado, explicou a promotora.
Um dos advogados de Alves, Ruy Luiz Quintiliano, (leia texto abaixo) diz que os crimes praticados pelo ex-delegado foram da função. Ele é uma pessoa excelente. Mas quem se prendeu foi ele mesmo porque não soube fazer o meio-de-campo com o juiz e o promotor. Não respondia aos pedidos da Justiça, explicou. O Ministério Público e a Justiça de Telêmaco não encontraram ligações de Alves com o tráfico de drogas.
Segundo Quintiliano, o ex-advogado Luiz Renato Cardoso Crovador, assassinado no início deste mês, em Curitiba, também estava atuando na defesa do ex-delegado. Crovador estava tentando libertar Alves através de um habeas-corpus. Na época, a prisão do delegado causou polêmica no município. Ele foi substituído pelo Ary Nunes Pereira.
O novo delegado diz estar trabalhando junto com a Promotoria e a Justiça, principalmente na repressão ao tráfico, responsável por 25% das prisões no município. É a prioridade, afirma. Dos 60 detentos da delegacia, 15 são acusados de tráfico de drogas. Os outros respondem por crimes diversos como furto, roubo e homicídio. Não estamos preocupados apenas em combater o crime para melhorar a sociedade. Também temos que preservar os direitos dos presos, reconhece a promotora.
Ela admite a superlotação da cadeia, que tem seis celas e capacidade para apenas 24 detentos. Mas diz que a boa notícia é a parceria entre a empresa de papel Klabin, a maior do município, e a prefeitura, para construção de uma nova ala da delegacia. A Klabin será responsável pelo projeto e pela doação de material. A prefeitura, segundo a promotora, irá fornecer a mão-de-obra.
A união entre a iniciativa privada e o município está sendo viável, segundo a promotora, graças a um esforço conjunto entre Judiciário, Ministério Público e Conselho Comunitário de Segurança. A nova ala, com área total de 393 metros quadrados, será construída nos fundos da delegacia, terá 15 celas e capacidade para 60 presos. A cadeia atual será destinada às mulheres e também haverá uma ala para os menores. (P.Z.)





