Ex-delegado do Trabalho tem prisão revogada após 68 dias
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Após 68 dias na carceragem do 2º Distrito Policial, o ex-delegado Regional do Trabalho no Paraná (DRT), Celso Soares da Costa, conseguiu ontem a revogação do seu mandado de prisão. Costa é acusado pelo Ministério Público (MP), em uma ação penal, de ter fraudado uma licitação na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU).
O advogado de Costa, João dos Santos Gomes Filho, alegou no pedido de soltura, que com o depoimento das testemunhas de acusação, tomados na semana passada, a prisão preventiva, concedida com base na alegação de que o ex-delegado estaria intimidando testemunhas, havia perdido o objeto. O pedido recebeu o parecer favorável do promotor da 3 Vara Criminal, Janderson Iassaka. ''A prisão foi motivada na informação que ele (Costa) estaria intimidando testemunhas. Uma vez ouvidas as testemunhas, a prisão perdeu o objeto, porém nada impede que, surgindo um fato novo, seja renovado o pedido de prisão'', salientou o promotor.
Ao sair do 2º Distrito Policial, no final da tarde, demonstrando um pouco de abatimento, o ex-delegado comemorou repetindo algumas vezes a palavra ''livre''. ''Acho que foi uma vitória da justiça. As testemunhas confirmaram que não houve ameaça, então por que eu fui preso? Foi mais um ato político do MP, que tem uma denúncia muito frágil. Agora quero recompor a minha vida'', afirmou, negando que atribuição de sua prisão a ''ato político'' tenha relação com a sua nomeação para a DRT, pelo PPB, partido presidido no Estado, pelo deputado federal José Janene, também investigado pelos promotores no caso Ama/Comurb. ''Não estou falando de política partidária, mas eles (promotores) queriam mostrar serviço. Eu era delegado do Ministério do Trabalho. Isso (a prisão) prejudica o governo federal.''
Costa também comentou sobre o depoimento de uma das testemunhas, que afirmou que o programa de computador para controle de multas entregue pela empresa do ex-delegado, que venceu a licitação, nunca teria sido utilizado na companhia. ''Entreguei o programa e treinei o pessoal. Tenho notas de tudo. A utilização do programa dependia do Detran, mas não conseguimos a autorização'', justificou.
Apesar de Costa alegar que as testemunhas negaram as ameaças, Iassaka disse que três das cinco testemunhas, teriam confirmado, ao menos, uma intimidação por parte do ex-delegado, o que justificaria a prisão preventiva. ''Eles confirmaram que após terem sido ouvidos na Promotoria de Investigações Criminais (PIC), o Celso teria tido uma conversa com cada um deles, orientando a mudarem os depoimentos na delegacia, que também estava investigando o caso. Tanto é verdade que uma delas (testemunhas) mudou o depoimento na delegacia, mas depois confirmou as declarações dadas ao MP perante o juiz.''
Costa disse que ainda deverá estudar quais medidas legais irá tomar contra o MP. Após sair da delegacia, o ex-delegado foi para o seu apartamento em Londrina.


