Ex-crítico de Lula, Mangabeira toma posse e elogia presidente
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terça-feira, 19 de junho de 2007
Renata Giraldi<br>Folhapress 
Brasília - O ministro Mangabeira Unger (Planejamento de Longo Prazo) recuou ontem das críticas que fez ao governo federal e destacou a ''magnanimidade'' do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na cerimônia de posse, realizada ontem no Palácio do Planalto, Mangabeira evitou dar entrevistas, mas fez um discurso em defesa do Brasil e com elogios também ao vice-presidente José Alencar.
''Ao convocar-me para essa tarefa, o senhor (Lula) demonstrou magnanimidade. Critiquei com veemência e combati com ardor o seu primeiro governo'', disse Mangabeira ao ser empossado, referindo-se às críticas que fez no passado ao presidente da República. Em seguida, Mangabeira acrescentou que ''a magnanimidade tem duas raízes: grandeza interior e preocupação com o futuro''.
O novo ministro tomou posse depois de três adiamentos e uma série de complicações. A indicação foi feita em abril, apoiada por José Alencar, que pertence ao mesmo partido de Mangabeira, o PRB. Segundo Alencar, a cerimônia não foi marcada por constrangimento algum.
A interlocutores, o presidente Lula chegou a admitir a possibilidade de recuar na nomeação de Mangabeira depois de tomar conhecimento de uma ação do filósofo na Justiça americana contra a Brasil Telecom. Ele disse que já retirou a ação, mas integrantes do governo criticaram o fato do deputado cobrar na Justiça honorários que a empresa diz não ter prestado ao filósofo.
A indicação de Mangabeira também recebeu críticas, uma vez que ele defendeu o impeachment do presidente Lula em seu primeiro mandato, em meio ao escândalo do mensalão.
A Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo, comandada por Mangabeira, também será responsável pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE). A nomeação do filósofo provocou a primeira baixa na pasta. O coronel Oswaldo Oliva Neto pediu exoneração do cargo de secretário do NAE, alegando divergências ideológicas.
De acordo com interlocutores de Lula, Oliva Neto foi convencido a ficar no governo e permanecerá auxiliando diretamente a Presidência da República. O coronel vai ser lotado na Casa Civil esta semana.


