A ex-coordenadora do Provopar, Cristina Barros, que acompanhou a entrevista do auditor Osvaldo Alves de Lima ontem à tarde, disse desconhecer as irregularidades. E apontou a ex-gerente, Maria Cristina Campos, como a responsável por toda a movimentação financeira no órgão. Antes do relatório ser divulgado à imprensa, ela conversou com o prefeito e com Lima.
Durante toda a entrevista coletiva, Cristina Barros, visivelmente nervosa, permaneceu ao lado do auditor. ‘‘O Provopar tem essa pessoa (Cristina Campos) há 15 anos, desde que foi fundado’’, afirmou. Segundo ela, a ex-gerente aparentava ser criteriosa e exigente eu seu trabalho. ‘‘Como pôde ser tão rude, pegar o dinheiro e depositar na própria conta?’’
Cristina Barros disse que a ex-gerente não permitia que ninguém tivesse acesso aos documentos contábeis e mensalmente apresentava um relatório. ‘‘Ela alegava que era extremamente organizada. Isso foi uma supresa muito desagradável.’’ Ela também não descartou a possibilidade da ex-gerente ter falsificado sua assinatura nos cheques investigados pela auditoria. ‘‘Agora não descarto mais nada.’’
A ex-coordenadora também afirmou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aprovou as contas do Propovar. Disse ainda que a contabilidade do voluntariado era feita pelo contador José Lito de Lima, que foi auditor da prefeitura. Segundo ela, as denúncias colocam em cheque a credibilidade do Provopar e podem afastar as pessoas que contribuem com doações.
‘‘‘É uma tristeza porque em quatro anos fiz um trabalho voluntário, deixei família, casa e negócios. Não precisava passar por este vexame’’, lamentou Cristina Barros. ‘‘Seria incoerência da minha parte pedir dinheiro para meus amigos empresários e depois desviar esse mesmo dinheiro.’’
A ex-gerente Maria Cristina Campos não foi localizada pela Folha, asism como o contador José Lito de Lima. O advogado Vicente Marques Filho – indicado pela família da ex-gerente para falar sobre o caso – não retornou as ligações. (L.R)

mockup