Ex-coordenador admite erros na campanha
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Cristiane Oya e Janaína Garcia<br> Reportagem Local 
Em entrevista exclusiva concedida ontem na redação da Folha, o ex-diretor administrativo financeiro da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), e um dos coordenadores da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT), Augusto Ermétio Dias Junior, admite que houve erros na campanha mas alega que a lei permite retificá-los.
Parte da administração municipal desde outubro de 2001 inicialmente na diretoria da Cohab Augusto disse estar ''magoado'' com Soraya Garcia, que denunciou o suposto esquema de caixa 2 na campanha. ''Preciso mostrar para todo mundo que isso é mentira. Erros a gente pode cometer, mas tenho certeza que são todos dentro da legalidade e serão retificados porque a lei permite e prevê isso. Caixa 2, efetivamente, não existiu e não existiram sacolas de dinheiro voando por aí'', disse.
Após seu pedido de exoneração, Augusto deve voltar à Caixa Econômica Federal (CEF). ''Isso não quer dizer que eu tenha abandonado o projeto político do Nedson. É sério, honrado e enquanto cidadão vou continuar apoiando esse projeto'', concluiu.
Folha - Você acha que ela está sendo induzida a fazer essas denúncias?
Augusto - Eu acredito que sim.
Folha - Quem seria?
Augusto - Eu não consegui avaliar isso ainda. Por eu estar no centro das denúncias, eu não parei para pensar.
Folha - O senhor trabalhou em que setor da campanha do Nedson?
Augusto - Era responsável pela estrutura da campanha. Materiais, transporte, locais. Também com a parte financeira quando tinha que efetuar compras e efetuar pagamentos.
Folha - Quando o senhor a chamou para trabalhar na campanha, seria para qual função?
Augusto - Para me auxiliar nesse trabalho da estrutura. Tanto que ela fazia tudo, atendia telefone, atendia vereadores, quando precisava limpava, recebia faxes dos orçamentos que pedia, preenchia cheques para fazer os pagamentos, fazia um trabalho operacional me auxiliando na estrutura da campanha.
Folha - Ela disse que trabalhava com planilhas e que haveriam as planilhas azuis, do caixa oficial, e as vermelhas, do caixa 2. Ela cuidava dessa parte da campanha?
Augusto - A planilha que ela usava eram os gastos, os pedidos que tinha que fazer, o que tinha sido feito. Ela tem usado todos os detalhes de um trabalho legal e lícito do dia-a-dia para acrescentar neles uma parte ilícita que não existiu.
Folha - Ela disse que o dinheiro para a campanha era trazido em sacolas e quem trazia era você...
Augusto - Isso aí é uma inverdade, não existia dinheiro em sacolas. O único dinheiro que se manuseou foi o dinheiro de doação que está registrado na prestação de contas.
Folha - Você tem conhecimento de alguém ter prometido algum cargo para ela na administração?
Augusto - Eu não tenho conhecimento. Terminou a campanha, ela estava grávida, a mãe doente e o Francisco Moreno, solidariamente, falou: até terminar a gravidez, nós vamos continuar mantendo para que você consiga uma colocação depois que tiver o filho. Ao final da campanha o Francisco Moreno tinha conseguido uma vaga para ela trabalhar, mas ela não aceitou.
Folha - Como o senhor avalia as denúncias dela mediante os 22 mandados de busca e apreensão, a quebra do seu sigilo bancário, várias notas fiscais que confirmariam, segundo a avaliação do ex-delegado-chefe da PF, a existência de um caixa paralelo? É uma coincidência?
Augusto - Ela, dentro do tabalho dela, conheceu a estrutura e o funcionamento de uma campanha. Todos os detalhes que ela conta, são detalhes que aconteceram no dia-a-dia, por isso que você está dizendo dessas coincidências de notas. Ela acrescentou aí um ingrediente que não existia.
Folha - Mas o fato dela ter citado onze postos de combustíveis dos quais oito afirmam ter prestado serviços para a campanha e não constam na prestação de contas, isso é coincidência?
Augusto - Não, pode ter sido até que ela notou que haveria uma falha e se calou para que a falha ocorresse. Entende? Não era intenção da coordenação da campanha cometer essa falha.
Folha - Ela foi conivente com os erros?
Augusto - Exato, se ela estava junto com a gente trabalhando, verificou isso e não nos alertou, por que ela vem a fazer isso nove meses depois?
Folha - Ela afirmou também que pela sua conta bancária teriam passado três cheques de R$ 10 mil para a campanha. Isso aconteceu?
Augusto - Não houve o depósito desses três cheques. O meu sigilo está quebrado, o pessoal vai verificar.
Folha - O senhor doou dinheiro para a campanha?
Augusto - Eu não me lembro. Acho que sim. Sinceramente não sei se fiz doação oficial, mas acho que foi R$ 1 mil, não tenho certeza.
Folha - O senhor pretende acioná-la judicialmente?
Augusto - Não tenha dúvidas disso.


