Ex-comissionado diz que repassava salário
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-funcionário da Prefeitura de Curitiba Rodrigo Oriente - autor da denúncia de supostas irregularidades contábeis na campanha de Beto Richa (PSDB) - afirmou ontem que, embora empregado no Executivo municipal num cargo comissionado entre 1º de abril e 31 de dezembro do ano passado, ele nunca trabalhou efetivamente lá. Oriente afirmou que repassava seu salário a Alexandre Gardolinski, que, até o último dia 18, também ocupava um cargo comissionado na Secretaria Municipal do Trabalho. ''O Alexandre me chamou, e eu aceitei o trabalho, mas aí ele me falou que precisava do rendimento porque ele pediria demissão (da Secretaria do Trabalho) para concorrer a uma vaga de vereador. Daí ele me disse que eu seria recompensado na campanha eleitoral'', conta Oriente, que de fato teria trabalhado no Comitê Lealdade em prol da candidatura à reeleição de Beto.
A exoneração de Gardolinski ocorreu em 31 de março de 2008, conforme registra o decreto 270, publicado no Diário Oficial de número 24. Já a nomeação de Oriente ocorre um dia depois, como revela o decreto 301, publicado no Diário Oficial de número 25. Ambos ocupavam um cargo comissionado de simbologia C4, só que Gardolinski atuava na Fundação de Ação Social (FAS) e Oriente foi nomeado para a Secretaria Municipal do Governo.
A Reportagem conseguiu contato com Gardolinski, mas ele informou que só seu advogado, Eduardo Ferreira, se manifestaria sobre o assunto. Ferreira não atendeu o celular. Já a assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba enviou uma nota na qual informa que ''qualquer infração funcional que Rodrigo Oriente tenha cometido será apurada, inclusive com a proposição de ação judicial de reparação de danos ao Município''. Oriente, ainda segundo a nota, foi exonerado em 31 de dezembro de 2008, junto com todos os outros comissionados do Executivo, já que se tratava de final de gestão. Ele não foi novamente contratado em 2009, ao contrário de Gardolinski. Oriente disse em entrevista à FOLHA que tem documentos que comprovam que os salários eram repassados a Gardolinski.
Investigação
Com base no material entregue por Oriente, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) iniciou uma investigação na campanha de Beto, ainda não concluída. Oriente afirma que houve dinheiro da campanha eleitoral do PSDB repassado ao Comitê Lealdade que não teria sido declarado à Justiça Eleitoral.
O Comitê Lealdade era formado por dissidentes do PRTB, que desistiram de concorrer a uma vaga de vereador porque não teriam concordado com a aliança que a direção estadual da sigla fez com o PTB. Gardolinski era o responsável pela parte financeira do Comitê Lealdade e teria, segundo Oriente, recebido cerca de R$ 130 mil do PSDB. À FOLHA, Oriente também afirmou que alugou carros de sua propriedade para o Comitê Lealdade.
O PSDB confirma que repassou dinheiro ao Comitê Lealdade, mas afirma que o repasse foi declarado à Justiça Eleitoral. Além de supostos documentos que comprovariam repasses não declarados, Oriente se sustenta num vídeo em que Gardolinski apareceria distribuindo dinheiro a dissidentes do PRTB, que assinavam recibos. As imagens também mostram Manassés Oliveria assinando recibos em nome de outras pessoas. Por conta das imagens, Beto exonerou Oliveira do cargo de secretário municipal de Assuntos Metropolitanos. Também foram exoneradas outras pessoas que aparecem nas imagens.


