Tanto o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), quanto o líder do Executivo na Casa, Gláudio de Lima (PT), negaram as acusações feitas ontem pelo agora ''ex-colega'' e desafeto declarado Orlando Bonilha (PR) de participarem de um suposto esquema de cobrança propina para aprovar projetos no Legislativo londrinense. Ambos se disseram vítimas de vingança, referência à votação unânime de 18 votos a zero, no último sábado, na sessão especial que
Bonilha teve o mandato cassado.
Outra peça-chave citada ontem ao Ministério Público (MP) pelo ex-foragido, o corregedor da Câmara, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), foi o único a partir para o ataque: chamou-o de ''canalha'' e, as declarações, de ''ameaças idiotas''. ''O Bonilha nunca dividiu nada com ninguém, era a quadrilha de um homem só: ele vendia a dificuldade para depois ter facilidade'', acusou.
Apontado por Bonilha como quem ''cuidava de colocar valor'' aos projetos de lei que beneficiariam empresários achacados, uma vez que poderia se beneficiar, para tal, da facilidade de lidar com números, por ser contador, Souza aceitou falar em entrevista coletiva só depois das 16 horas, transcorridas mais de três horas de depoimento do vereador cassado no MP.
''Só posso conceber imputar isso a uma vingança, a um momento de revolta, pois foi cassado e perdeu os direitos políticos por oito anos'', refutou. Indagado sobre o porquê de ter sido um dos alvos, Souza alegou: ''Porque sou presidente da Câmara. É uma forma de ele se vingar da instituição. O que não pode é o vereador generalizar: se um criou dificuldades (à tramitação de projetos de lei) onde elas não existiam, criou de fato um estelionato contra empresários na cidade de Londrina; não vale agora criar essa cortina de fumaça para atingir toda a Casa. Mas acredito na população londrinense, que está sabendo separar o joio do trigo''.
O líder do Executivo também rechaçou participação em supostos esquemas de corrupção delatados por Bonilha. ''Isso tudo me parece mais uma vingança do que uma delaçao premiada, e não ajuda em nada. Eu quero ajudar, vou me colocar à disposição do MP'', resumiu Gláudio.
Menos ameno nas palavras, o corregedor viu a citação de seu nome por Bonilha como a ''comprovação das ameaças'' que, diz, ele e a família viriam sofrendo durante as investigações que culminaram na cassação. ''Eu era relator da denúncia (à Mesa), sou corregedor, e tanto por telefone quanto pessoalmente ele me ameaçava - agora fez a coisa bem desenhada e quer levar todo mundo para lama junto com ele'', esbravejou, sem especificar quais seriam as ameaças, exatamente, nem quando as tornaria públicas. ''É um verdadeiro canalha que usou do seu cargo para achacar empresários, e a gente fica até surpreso: é uma pessoa que todo mundo achava que não tinha condição de fazer esquemas desse jeito, mas é um sujeito polivalente, atua em todas as áreas com os mortos'', ironizou Tamarozzi, referindo-se às investigações em que Bonilha é citado no caso da tanatopraxia, da Acesf.

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