Ex-chefe de setor confirma desvios de dinheiro na UEPG
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quinta-feira, 13 de maio de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-chefe do setor de receita da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Darci Santos confirmou, ontem, o desvio de dinheiro da instituição na acareação feita pela CPI das Universidades na Assembléia Legislativa entre ele, o ex-chefe da divisão financeira Gabriel Inácio Kravchychyn e o ex-pró-reitor de Administração Nadir Laidane, acusados de participarem do esquema.
O presidente da CPI, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), disse que Nadir Laidane confirmou que o dinheiro era usado para pagar cursos de pós-graduação do ex-reitor Roberto Frederico Merhy e do atual vice-reitor, Ítalo Sérgio Grande. Laidane concordou com Bradock quando questionado pelo deputado se considerava ilícito o pagamento dos cursos.
Ao repetir a pergunta a Laidane, no final de seu depoimento, Bradock foi repreendido pelo advogado do ex-pró-reitor, que afirmou que o deputado estaria tentando induzir seu cliente. Foi o único momento tenso da sessão.
Laidane, segundo o deputado, teria afirmado que, semanalmente, pegava R$ 800, o que não bate com o que Darci Santos havia declarado. Segundo o funcionário, o ''desvio'' era de R$ 4 mil a R$ 5 mil por semana.
Por conta da divergência nas informações, Bradock afirmou que a CPI vai pedir a quebra de sigilo bancário e telefônico de Darci Santos, Kravchychyn e Laidane. Irá, também, fazer uma nova acareação reunindo os dois professores que seriam beneficiários do pagamento dos cursos. Gabriel Kravchychyn declarou à CPI que apenas entregava o envelope fechado a Nadir Laidane.
Bradock desconfia que o dinheiro tenha sido desviado para outros fins. Segundo ele, o esquema foi mantido durante oito anos, enquanto uma pós-graduação dura cerca de dois anos.
No depoimento prestado no dia 28 de abril, Darci Santos entregou todo o esquema, dizendo que foi procurado por Kravchychyn e Laidane que teriam lhe dado a missão de desviar o dinheiro. Para isso, adulterava as fitas de autenticação do caixa da tesouraria.
Uma sindicância interna na UEPG apurou as supostas irregularidades. Como resultado, Merhy e Grande foram repreendidos e obrigados a devolver o dinheiro: R$ 62 mil, segundo Bradock.
A Folha procurou a UEPG, mas foi informada pela assessoria de imprensa que a pessoa que poderia dar detalhes Célia Alejandra Paes Ziskowiski, presidente da comissão de processo administrativo se encontra em licença médica.
Com exceção de Merhy e Laidane, que se aposentaram, os outros três permanecem na universidade. Darci Santos trabalha como técnico administrativo na Prefeitura do Campus, Kravchychyn está no Museu Campos Gerais e Ítalo Grande é o atual vice-reitor.
Laidane não foi encontrado em casa. Ninguém atendeu o telefone na casa de Merhy e Ítalo Grande estava em um evento da UEPG em Castro, segundo informou sua secretária.


