O auditor Márcio de Albuquerque Lima, acusado de ser o chefe da organização criminosa que agia na Receita Estadual de Londrina operando um esquema de cobrança de propina de empresários que sonegavam impostos, interrogado ontem pela manhã pelo delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, preferiu manter-se calado durante uma hora e meia, aproximadamente. O delegado não revelou o tema do interrogatório e tampouco as perguntas feitas a Lima, limitando-se a afirmar que "a vinda do Márcio aqui atende a uma medida postulada pelo Ministério Público na cota que acompanhou a denúncia para esclarecer algumas questões".
Na cota, os promotores que atuam no Gaeco solicitaram o aprofundamento das investigações de várias situações possivelmente ilícitas reveladas pela operação Publicano, que envolve 15 auditores da Receita de Londrina. Uma das possíveis situações ilícitas, conforme o documento anexo à denúncia, é uso de duas empresas "para sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e pagamento de propinas" que teriam "ligação direta com Márcio de Albuquerque Lima", que já delegado-chefe da Receita de Londrina e inspetor-geral de fiscalização da Receita do Paraná, cargo que passou a ocupar em junho do ano passado e no qual permaneceu até poucos dias antes da Operação Publicano. Segundo a cota, há "indícios consistentes de que tais empresas são ligadas à organização criminosa e estão em nome de 'laranjas'".
Lima, cuja prisão foi decretada em 20 de março, ficou foragido 40 dias. Apresentou-se na quarta-feira passada e somente não foi ouvido na quinta-feira porque recusou-se a ir ao Gaeco. A recusa gerou um impasse entre o Gaeco, que defendia a obrigação da unidade prisional (a unidade dois da Penitenciária Estadual de Londrina) de apresentar Lima e a direção da PEL 2, que sustenta não poder obrigar o preso a atender um chamado da polícia.
De fato, a razão estava com o Gaeco que, após ofício à juíza da 3ª Vara Criminal, Deborah Penna, obteve uma decisão, de caráter geral, afirmando que a unidade é a responsável por apresentar os presos. "Não foi um pedido de condução coercitiva, que só vale para pessoas livres. O preso não tem essa prerrogativa. Deve obedecer as regras do sistema prisional", explicou o delegado do Gaeco. "O que fizemos foi informar a Justiça de que a unidade não havia apresentado o preso e queríamos uma decisão de caráter geral para atender a todas as situações como essa", afirmou Flore. Recentemente, outro preso da Operação Publicano, o auditor Luiz Antonio de Souza, recusou-se a ser levado ao Gaeco. Somente no dia seguinte, acabou cedendo.
A mulher de Lima, Ana Paula Pelizari Marques de Lima, auditora fiscal e apontada como uma das líderes da organização, está foragida, assim como o auditor Miguel Arcanjo Dias. Outros dez auditores estão presos. Dois não tiveram a prisão decretada.

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