Ex-chefe da Casa Civil muda versão sobre bilhete de Lopes
O ex-ministro chefe da Casa Civil Clóvis Carvalho prestou depoimento ontem à Justiça Federal de São Paulo e voltou atrás em pelo menos um ponto das declarações que deu anteriormente à Polícia Federal (PF), sobre uma suposta quantia depositada no exterior de propriedade do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes.
Carvalho foi arrolado como testemunha da acusação no processo em que Lopes é acusado de evasão de divisas e manutenção de depósito não declarado no exterior. A ação tramita no Rio de Janeiro e Carvalho foi ouvido por carta precatória.
O processo foi iniciado com base em um bilhete encontrado na casa de Lopes em 1999, durante investigações sobre a operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam feita pelo Banco Central. No documento, o ex-sócio de Lopes na consultoria Macrométrica, Sérgio Bragança, diz ter depositado no exterior cerca de US$ 1,6 milhão que pertenceriam a Lopes. Bragança também é réu na ação e o bilhete continua sendo a principal prova da suposta existência da conta.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Carvalho disse à Polícia Fedral que Lopes lhe informou que o bilhete era relativo a valores de herança de seu falecido pai, Lucas Lopes. Para o MPF, isto entraria em contradição com o interrogatório de Lopes na Justiça, em que ele afirmou que o bilhete dizia respeito à venda de cotas da Macrométrica para Bragança, mas que o negócio na época acabou não se concretizando.
Entretanto, Carvalho afirmou que o ex-presidente do Banco Central não lhe disse textualmente que o documento referia-se a herança. Ele também negou que tivesse atribuído a afirmação a Francisco Lopes aos policiais. O ex-ministro garantiu que Lopes não relacionou expressamente o bilhete à herança do pai.
O advogado de Lopes, João Mertieri, sustenta que o dinheiro e a conta não existem e que as acusações do Ministério Público Federal não procedem. Ele acredita que o depoimento foi favorável à defesa. O advogado confirmou também a existência de grampo no telefone de seu escritório. No entanto, ele não quis afirmar que o fato tem relação com seu cliente Francisco Lopes. Foi coisa de amador, não posso atribuir a ninguém, declarou Mertieri.





