Em depoimento à CPI do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) na Câmara Federal, o ex-controlador do Banco Nacional, Marcos Catão Magalhães Pinto, disse ontem à tarde que o programa de saneamento do sistema financeiro ''foi danoso'' para a instituição que dirigia.
Apesar de reconhecer que o Proer evitou ''um cataclismo no sistema bancário'', Magalhães acusou o governo de ter privilegiado o Unibanco na privatização do Nacional, pois lhe permitiu ''adquirir o quarto maior banco do País por um preço quase simbólico'' sem precisar herdar os problemas que o banco apresentava. Ele calculou o patrimônio do banco em R$ 1 bilhão. O Unibanco pagou R$ 300 milhões. As informações são da Agência Câmara.
Afirmando desconhecer os motivos pelos quais o Unibanco foi escolhido como beneficiário da operação, o ex-controlador manifestou estranheza pela forma como ela se processou. Ele garantiu que, antes de pedir a ajuda do Banco Central por intermédio do Regime de Administração Especial Temporária (Raet), em 18 de novembro de 1995, já estava em negociações com o Unibanco e com o Banco de Boston, mas foi impedido de prossegui-las uma semana antes de o BC decretar a intervenção. ''Essa CPI vai mostrar ao País a forma como o Proer foi executado''.
Magalhães também afirmou que nunca se apontou qualquer desvio de valores, por mínimo que fosse, na administração anterior do Banco Nacional, e que a causa da crise na instituição não decorreu de qualquer ilícito, mas da situação estrutural de crise de liquidez no sistema financeiro, provocada pelo Plano Real. A seu ver, o Proer não deve ser explicado pelos ex-controladores dos bancos, mas sim, pelo governo.
Apesar de o Proer ter sido criado no mesmo mês em que foi pedida a intervenção do BC, Magalhães disse que ele não surgiu por influência do Banco Nacional, mas devido à situação do mercado. Magalhães Pinto usou o fato de estar afastado da administração da sua instituição para negar conhecer a existência de operações fraudulentas. Ele disse que a responsabilidade pelas operações eram dos administradores Arnoldo de Sousa Oliveira e Clarimundo Santana.
Os deputados da CPI estranharam a omissão do ex-controlador com relação aos problemas apresentados pela administração do banco. Magalhães insistiu em alegar não ter conhecimento dos desvios na gestão do banco. ''Fui informado de que o banco passava por problema de inadimplência, e de iliquidez, não de créditos que não valiam nada''.
Magalhães disse que foi procurado em agosto pelo Unibanco e pelo Banco de Boston. O primeiro com uma proposta de fusão e o outro de aquisição. ''As negociações não prosperaram porque fui alijado desse processo'', sustentou.

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