Ex-assessores depoem na Comissão de Ética
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A defesa do vereador afastado Osvaldo Bergamin (sem partido) não soube explicar ontem se as funções de assessores comunitários do gabinete, investigados como supostos fantasmas, desempenharam também atividades de cabos eleitorais enquanto estavam nomeados pela Câmara. A afirmação foi feita pelo advogado do vereador, Wilmar Campos, pouco antes de quatro pessoas, três das quais ex-assessoras, prestarem depoimento à Comissão de Ética da Casa pelo processo disciplinar que apura se Bergamin feriu ou não o decoro parlamentar.
O objeto de investigação do grupo é a representação da Corregedoria diante da nomeação da assessora Vanderléia Faria da Mota, entre setembro de 2007 e 31 de março deste ano. Dias antes da exoneração dela com outros quatro colegas de gabinete, em 7 de março, Vanderléia dissera em conversa telefônica gravada pela imprensa que atendia em um salão de cabeleireira e manicure, ''de terça a sábado'', o dia todo, mesmo recebendo um salário de mais de R$ 1,1 mil pelo poder público.
No primeiro dia de depoimentos, ontem, além de Vanderléia também compareceram perante a Comissão uma manicure do salão dela, Bárbara Faccio, uma ex-estagiária do gabinete, Gleiciany Lopes Teixeira, e a ex-assessora Rosy Ferreira, funcionária da Educação cedida pela Prefeitura. Nenhuma das quatro falou com a imprensa.
O advogado do vereador negou que o cliente tenha mantido fantasmas lotados na Câmara. ''O que o assessor comunitário faz é atuar junto à comunidade, na rua - não tem a obrigatoriedade de um horário certo, no gabinete'', defendeu. Sobre Vanderléia, Campos explicou: ''O fato de ela ter uma profissão paralela não significa que não exercesse sua função; além do mais, ela mora no bairro (Santa Rita 4) há 30 anos e as pessoas vêm até ela com as demandas para o gabinete'', alegou. E o fato de a manicure ter afirmado, ao MP, que sequer sabia que a patroa era assessora? ''Ela não precisava divulgar para todo mundo que ela era assessora'', desconversou. Se os assessores faziam mais as vezes de cabos eleitorais que as de assessores? ''Não sei. Sei que isso é uma coisa corriqueira na Casa.''
O presidente da Comissão de Ética, Roberto Kanashiro (PSDB), afirmou que a próxima etapa serão as oitivas dos demais ex-assessores de Bergamin. Segundo o tucano, ainda não é possível afirmar se há indícios de quebra de decoro.


