Arquivo Folha Zélia Cardoso: dinheiro suspeito para reforma da casa da ex-ministraBRASÍLIA - Os ex-assessores de Zélia Cardoso de Mello no Ministério da Economia ouvidos ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tentaram minimizar a importância do reajuste de 17,4% dado pela ex-ministra às tarifas dos ônibus interestaduais um dia antes de a Associação de Empresas de Transportes Rodoviários Interestaduais e Internacional (Rodonal) ter depositado US$ 813 mil na conta da empresa de Paulo César Farias. Foram quatro os ex-funcionários do ministério interrogados ontem no STF como testemunhas de defesa no processo em que Zélia é acusada de corrupção passiva. Todos disseram não lembrar da portaria que concedeu o aumento tarifário.
O STF ouviu na quarta-feira o ex-secretário nacional de economia João Maia, o ex-procurador-geral da Fazenda Cid Heráclito de Queiróz, o ex-diretor do departamento de Abastecimento e Preços Edgard Antônio Pereira e o ex-coordenador de política setorial do ministério e atual secretário-adjunto de Planejamento do governo de São Paulo, Carlos Antônio Luque. À exceção de Queiróz, que admitiu que a portaria tenha passado pela procuradoria, os demais disseram não se lembrar do reajuste, devido ao grande número de portarias que eram editadas no ministério.
Os depoimentos dos ex-assessores do antigo Ministério da Economia coincidem com o que Zélia havia prestado ao STF no dia 27 de junho do ano passado. A ex-ministra foi acusada de ter concedido o reajuste à Rondonal um dia antes do depósito feito na conta da empresa de Paulo César Farias, que tinha sido tesoureiro da campanha em que Collor foi eleito presidente da República.
O aumento foi dado durante o congelamento de preços estipulado pelo Plano Collor II. A Polícia Federal, meses depois, descobriu cheques de contas ‘‘fantasmas’’ do esquema PC na conta do ex-secretário particular de Zélia, João Carlos Camargo, que teria usado o dinheiro para a reforma da casa da ex-ministra em São Paulo. Camargo, num depoimento anterior, havia confirmado ao STF os depósitos e o pagamento da obra.
Como nas sessões anteriores do STF, Zélia Cardoso de Mello acompanhou hoje os depoimentos das testemunhas. A ex-ministra parecia tranquila, ao contrário da sessão anterior, quando passou mal e foi encaminhada ao serviço médico do STF. Apesar de demonstrar serenidade, a ex-ministra carregava uma caixa de medicamentos para dor de cabeça. No final, disse apenas que os depoimentos vão ajudar a esclarecer o caso. ‘‘Todos eles vão fazer chegar à verdade’’.
Zélia negou que pretenda morar em Nova York no próximo ano. No entanto, confirmou que seu marido, o humorista Chico Anísio, tem projetos internacionais para o futuro, mas a decisão de acompanhá-lo ou não será tomada em família.

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