Dez ex-funcionários ligados ao gabinete do ex-deputado estadual Moysés Leônidas (PP) durante o mandato 1999/2002, foram chamados a depor em carta precatória encaminhada semana passada ao Ministério Público (MP) em Londrina pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba. Os depoimentos começaram esta semana ao órgão correspondente, na cidade, e terminam hoje ou amanhã. Ontem, quatro pessoas foram ouvidas pela promotora Leila Voltarelli. O autor do pedido das oitivas, promotor Odoné Serrano Junior, informou, por meio da assessoria de imprensa, que os depoentes foram chamados ‘‘na qualidade de informantes ou testemunhas’’. Ele não confirmou se o procedimento integra as investigações da chamada operação Gafanhoto – explicou apenas que se trata de uma investigação civil que envolve levantamentos a respeito de ocupantes de cargos comissionados de ‘‘diversos gabinetes parlamantares, e que está em estágio inicial’’.
  A Operação Gafanhoto, deflagrada em 2006 pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), denunciou o suposto esquema em que funcionários de deputados e ex-deputados autorizavam que seus salários fossem depositados em uma única conta corrente. A investigação centrou foco em depósitos feitos pela Assembléia Legislativa no período de 2001 a 2004 os quais, em alguns casos, o titular da conta ou era o próprio deputado, ou um parente dele, ou seu chefe de gabinete. Porém, parte dos funcionários que autorizaram o depósito, apontaram as investigações, nunca teriam trabalhado na Casa, ao passo que outra parcela deles recebia um valor inferior ao salário oficial – a suspeita é que a diferença seria embolsada pelo titular ou pelo deputado.
  Na carta precatória, o promotor Serrano Junior pedia que fossem perguntados aos ex-funcionários se eles recebiam da Assembléia, naquele período, e de que forma isso era feito (em modalidade de pagamento e valores, por exemplo).
  A promotora de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Leila Voltarelli, não entrou em detalhes sobre os depoimentos de ontem e anteontem – ela confirmou apenas que, à exceção de um, todos os demais depoentes admitiram ter trabalhado com Leônidas, durante aquele mandato, e que os pagamentos nunca teriam se processado por meio de conta bancária: somente em dinheiro, em quantias que variavam de pouco mais de R$ 1 mil a R$ 3 mil. Todos os citados na carta precatória prestariam serviços de assessoria ao ex-parlamentar em Londrina, menos um, filho dele, que era lotado em Curitiba.
  De Camboriú – uma das cidades mais castigadas pela chuva dos últimos dias, em Santa Catarina –, Leônidas disse que ‘‘a Operação (Gafanhoto) corre sob segredo de Justiça, prefiro não falar’’. Depois, resumiu: ‘‘Eu já sabia que o meu pessoal seria ouvido, pois estão fazendo isso com todo mundo daquela Legislatura; é até salutar. Mas as pessoas que estavam comigo de fato trabalhavam e recebiam por isso, não era segredo para ninguém’’.
  A FOLHA perguntou para o ex-deputado se procedia a informação prestada ontem à promotora em Londrina por um dos depoentes, que negara ter trabalhado para ele. Atualmente só com a atividade de advocacia – a última tentativa de obter mandato fora na disputa para a Câmara de Vereadores, em 2004, sem sucesso –, Leônidas contradisse o ex-comissionado. ‘‘Esse rapaz trabalhou comigo’’, garantiu.

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