Ex-assessoras não comprovam atividades
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quinta-feira, 03 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Duas ex-assessoras do vereador afastado Osvaldo Bergamin (PMDB), investigadas no procedimento que apura suposta ocorrência de funcionários-fantasmas na Câmara Municipal de Londrina, não conseguiram comprovar ontem ao Ministério Público (MP) que de fato prestavam serviços ao Legislativo - atividades pelas quais eram remuneradas em R$ 1.050 e R$ 1.500 mensais, cada uma (contados R$ 500 de abono).
O procedimento investigatório foi instaurado pelo MP logo após a reportagem da FOLHA, na presença de outros veículos da imprensa, telefonar para a casa de uma das assessoras, Vanderléia Faria da Mota, e agendar serviços de corte de cabelo, escola e manicure para terça e quinta-feira à tarde desta semana - em dias e horários de sessão na Câmara. Na ocasião, a assessora afirmara que tinha horários ''de terça a sábado'' e que seria necessário agendamento, dado o fluxo de clientes.
Além dela, ontem, também depôs ao promotor Cláudio Esteves a ex-assessora Jocélia de Osti Romagnolli, esposa do ex-assessor - agora indiciado por formação de quadrilha e concussão, em outro inquérito - Júlio Cesar Romagnolli. Tanto Jocélia quanto Vanderléia saíram sem falar com a imprensa; a cabeleireira, contudo, negou ser funcionária-fantasma.
A FOLHA teve acesso aos depoimentos. No de Vanderléia, ela explicou que as atividades de assessora comunitária se referiam a ''coletar dúvidas'' da comunidade a respeito de IPTU e medicamentos - os quais, inclusive, seriam pagos do próprio bolso de Bergamin aos eleitores ou cidadãos pedintes. Ela admitiu o trabalho no salão, em sua casa, alegou que isso seria feito fora do expediente na Câmara mas disse não ter nenhum tipo de registro, no gabinete, das atividades como assessora - uma vez que não havia, disse, nenhum controle da frequência de trabalho. Por outro lado, atribuiu ao suposto fato de conhecer bem a comunidade local (Zona Oeste) e a ter uma ''família grande'' as declarações de Bergamin, na imprensa, de que ela representaria a ele ao menos 400 votos: se contratada para eventual campanha do vereador, ela poderia angariar tal número, alegou.
A ex-assessora Jocélia também citou questões como reclamações ou parcelamentos de dívida de IPTU para justificar suas funções. Obter amostras grátis de medicamentos obtidos em consultórios - dos quais disse não se lembrar quais - também foi justificado como ações. Sobre a frequência à Câmara, a ex-assessora afirmou que ia ''quando Bergamin precisava, em média uma vez a cada semana ou (a cada) 15 dias, visto que não era obrigada a comparecer''. Ela negou informação contida em carta anônima que o MP diz ter recebido, dando conta de que Jocélia repartiria seu salário com a esposa de Bergamin, que é cunhada de Vanderléia; admitiu ter trabalhado nas últimas campanhas do edil e negou ter qualquer tipo de confirmação da atividade de assessoria para fornecer ao MP.
''Vamos ouvir outras pessoas (hoje, por exemplo, o marido de Vanderléia) e coletar informações documentais. Já disse às duas assessoras, inclusive, que teremos que aprofundar a investigação para verificar a veracidade do que trouxeram'', avisou Esteves.


