Agência Estado
De Brasília
O relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), confirmou ontem que Solange Antunes, ex-assessora do ministro da Defesa, Élcio Álvares, e seu irmão, o advogado Dório Antunes, devem ser convocados para prestar depoimento na volta dos trabalhos da comissão, em fevereiro. Dório e Solange são sócios do escritório de advocacia do ministro e estariam ligados ao crime organizado no Espírito Santo. O desembargador Geraldo Correia Lima, que também foi sócio do ministro, também deverá ser ouvido pela comissão.
O ministro e o presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz (PFL), são citados em um organograma do crime organizado. As acusações sobre as supostas ligações com criminosos no Espírito Santo foram feitas pelo delegado de Polícia Civil Francisco Badenes Júnior. Segundo o relator da comissão, os deputados que integram um grupo da CPI encarregado de investigar casos de narcotráfico no Espírito Santo devem viajar novamente para Vitória.
Os deputados, entre os quais o ex-procurador-geral de Justiça do Rio Antônio Carlos Biscaia, estiveram em Vitória no fim do ano passado e levantaram indícios de um esquema ligando banqueiros do jogo de bicho e a Scuderie Le Cocq, que sucedeu o Esquadrão de Morte, a um grupo de políticos, juízes, advogados, empresários e policiais.
Depois da primeira diligência em Vitória, a CPI aprovou o indiciamento do presidente da Assembléia e quebrou o sigilo bancário, fiscal e telefônico de cerca de 20 pessoas, entre as quais de Solange e Dório Antunes, Gratz e do prefeito de Cariacica, Dejair Camata, o cabo Camata. A ex-assessora e seu irmão conseguiram anular a quebra de sigilo por meio de um pedido de liminar em mandado de segurança concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Torgan informou que a CPI encaminhará ao Supremo os argumentos que levaram à quebra de sigilo de Solange e Dório Antunes.