A ex-assessora financeira da campanha de Nedson Micheleti (PT), Soraya Garcia, colaborou na triagem dos documentos apreendidos nos 22 mandados de busca cumpridos ontem pela Polícia Federal e Justiça Eleitoral. Ela permaneceu na sede da Polícia Federal (PF) durante cerca de dez horas.
''Eu tenho noção de todas as pessoas que fazem parte da cúpula, tenho noção de todas as pessoas que são filiadas ao PT, então eu sabia mais ou menos onde procurar'', justificou a ex-assessora.
Alvo dos ataques de dirigentes petistas desde que fez a denúncia de caixa 2 à Justiça Eleitoral, Soraya disse que se sentia aliviada com a apreensão da documentação. ''Até onde eles fizeram as buscas e apreensões conseguiram achar sempre alguma coisa, ou grande parte das coisas. Os donos dos postos eu agradeço a todos, porque todos disseram que receberam, que foi caixa 2, graças a Deus. Me sinto (aliviada) porque agora não sou mais a mentirosa que eles diziam, não sou a faxineira, eu sou o financeiro'', afirmou.
Segundo o delegado chefe da Polícia Federal, Sandro Roberto Viana dos Santos, ''o papel da Soraya foi o mais importante de todos''. ''A Soraya servia para nós como fonte de dados, onde buscávamos os dados, os detalhes com relação aos locais que foram objeto das buscas. Ela ajudou na triagem dos documentos porque ela tem bastante conhecimento contábil e alguns documentos inclusive foram assinados por ela.''
As investigações, a partir de hoje, se concentrarão na análise dos documentos apreendidos e no cruzamento das notas com a prestação de contas do PT. ''A partir de amanhã (hoje) vamos fazer análise mais aprofundada dos documentos e começar a oitiva das pessoas que estão envolvidas. Cada documento desse provavelmente vai gerar a oitiva de uma pessoa, além dos depoimentos que já colhemos'', relatou. ''Possivelmente esta semana devemos intimar o Augusto (Ermétio Dias Júnior) tendo em vista que de todos os nomes citados, o nome dele é o mais implicado'', justificou. ''Augusto Dias Júnior é hoje a peça principal de todo esse esquema e a pessoa que vai poder fornecer, caso ele queira, as informações necessárias. É importante citar que nos postos de combustíveis, nas locadoras, a maioria dos documentos tinha a chancela de Augusto Dias Júnior'', complementou. Santos não descartou a possibilidade de ouvir o prefeito e de pedir a quebra de sigilos de todos os supostamente envolvidos no caixa 2.
Conforme Santos, o crime de caixa 2 está previsto na legislação e prevê pena de um a cinco anos de prisão. ''De início estamos apurando crime eleitoral. Acredito que existe uma comprovação já documental e testemunhal da existência do crime eleitoral, as pessoas serão indicadas e o inquérito será relatado e encaminhado à Justiça. Quem irá tomar os procedimentos será a Justiça Eleitoral'', concluiu.

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