A prestação de contas oficial da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT) pode ser alvo de investigação pela Polícia Federal (PF). Ontem o promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, disse que irá solicitar ao juiz eleitoral que requeira a instauração de um novo inquérito policial. Há 31 dias a PF investiga a denúncia da ex-assessora financeira Soraya Garcia, que afirmou que além dos R$ 1,3 milhão de despesas declaradas à Justiça Eleitoral, a campanha petista teria gasto R$ 5,2 milhões.
Sogaiar quer esclarecer declarações concedidas ontem por Soraya em um novo depoimento. Segundo Sogaiar, Soraya teria solicitado a nova oitiva há cerca de 15 dias para apontar supostas irregularidades no caixa oficial da campanha. ''Ela disse que algumas empresas fizeram doações com recibos que depois foram cancelados e que houve uma combinação dessas empresas com o partido de que essas doações seriam no caixa 2. Além disso ela disse que houve falsificação de recibos eleitorais, documentos públicos, portanto tem que ser apurado'', justifou o promotor. ''Estamos pedindo ao juiz que requisite a instauração de novo inquérito policial especificamente sobre essas questões'', disse.
''Agora eu vim mostrar ao promotor que o caixa 1 também está comprometido, não é só o caixa 2. Há verbas do caixa 2 que foram esquentadas no caixa 1, gente que a princípio diz que doou dinheiro mas que não foi doado. Como eu disse no início a gente passava depois para pegar a assinatura das pessoas, mostrar que há recibos eleitorais que tiveram a assinatura falsificada para poder adicionar esses recibos no caixa 1 com a autorização da chefia'', declarou a ex-assessora sem declinar nomes. ''Já dei os nomes à Justiça e deixa em sigilo porque eles precisam fazer o exame grafotécnico'', justificou. ''A intenção é dar novas linhas de investigação para comprovar que o que ela disse de início era verdadeiro'', complementou o advogado Mauro Aguillera.
De acordo com Soraya, o ex-coordenador estrutural da campanha, Augusto Ermétio Dias Júnior, seria quem determinava o cancelamento de recibos de doação. Todos os recibos válidos e cancelados constam na prestação de contas do PT. ''Eu fiz o recibo, ele foi cancelado e quem ficou responsável por isso foi o senhor Augusto Ermétio Dias Júnior. Ele só falava: cancela o recibo. E o dinheiro? Deixa que o cheque eu vou descontar de outra forma'', declarou. Nos cálculos de Soraya, através desse mecanismo, cerca de R$ 60 mil teriam deixado de entrar no caixa oficial.
Soraya ainda admitiu ser praticamente impossível as investigações chegarem aos R$ 5,3 milhões de despesas não declaradas conforme ela afirmou em depoimento. ''Isso eu tenho certeza, porque 60% foi para o pagamento de pessoal. Sempre disse isso, desde o princípio. Mas uns 30% a 40% comprova sim. O que mais me interessa são as acareações. Não é denuncismo. Estou fazendo uma denúncia séria'', afirmou. A ex-assessora também entregou à Justiça Eleitoral uma relação com 36 números de telefone que teriam sido utilizados na campanha.
O advogado do PT, João Gomes dos Santos Filho, disse que Soraya Garcia está sendo orientada para provocar factóides políticos. ''No momento certo vamos apontar quem está por trás dessa história. Ela (Soraya) era uma inocente útil. Hoje não se apresenta mais como inocente, mas continua útil para interesses políticos.''
Santos Filho disse que Soraya Garcia denunciou um caixa dois petista de R$ 6,5 milhões e que isso não foi provado. ''Depois de um mês de pirotecnia, de buscas e apreensões absurdas, só se chegou a um valor perfeitamente passível de erro em uma prestação de contas de campanha. Isso é uso político'', disse. (Com Agência Folha)

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