Uma das ex-assessoras da Câmara de Cambé que denunciaram suposto esquema de racha de salários a vereadores relatou ontem à Promotoria da cidade ter recebido ameaças de morte por telefone. No termo de declaração assinado junto a uma assessora jurídica - a promotora Cláudia Lino, que não a recebeu, estaria em audiência -, Daiane Francieli Godoi de Almeida, de 24 anos, disse ter sido avisada de que seriam vítimas, ela e a família, ''a mando do Alencar'', de ''três tiros na cabeça''.
Conforme a FOLHA apurou, o número registrado às 14h20 no celular da ex-assessora e atual auxiliar de escritório é de um telefone público localizado na Rua dos Caçadores, no Jardim Guarani, fora da área central de Cambé. De acordo com ela, a voz de um homem ''que soou conhecida, mas não me lembrei na hora de quem era'' teria feito a ameaça a pedido do ex-patrão, o vereador Alencar Diniz da Silva (PP). ''Espero que provem logo o que eu disse no depoimento, porque estou falando a verdade - não adianta virem essas intimidações'', disse.
Daiane contou que começou a trabalhar para Silva em 2003 como assessora de gabinete, mas que sua função era atender a população. Após um período, teria sido indicada por ele para o gabinete da Presidência - onde teria permanecido na legislatura seguinte. Ela garante, e sustentou isso em depoimento, que durante todo esse tempo teria sido obrigada a dividir o salário com o parlamentar como condição para permanecer no cargo. ''O MP pode quebrar meu sigilo bancário, tenho como provar o que estou dizendo e tenho testemunhas'', desafiou. Dos R$ 910 de salário, ela alega que ficaria com R$ 300 - o restante, em dinheiro, seria repassado ao vereador.
Além de Silva, cujo gabinete teve três ex-assessores que o acusaram de racha de salário, quem também é investigado é o vereador Almiro de Vasconcelos Uchoa (PPS), denunciado pela mesma prática por um ex-assessor. Ambos negam as práticas das quais são alvo.
A respeito da ameaça feita por telefone, o advogado de Silva, Paulo Mecchi, informou ontem que ''seria um absurdo'' o cliente agir dessa forma. ''Isso é armação contra ele, não resta dúvida. Apresentamos defesa ao MP, dia 18, com provas documentais e testemunhais pela inocência dele; cremos que, diante disso, essa ex-assessora possa querer criar fatos novos'', resumiu, para concluir, em evasiva: ''É perseguição política''.
A FOLHA tentou contato ontem com a promotora de Cambé durante toda a tarde e início da noite para saber quais diligências serão tomadas face à notícia de ameaça protocolada pela ex-assessora, mas ela não atendeu o celular.

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