Nem ao Ministério Público (MP), tampouco à Polícia Federal (PF). Os próximos documentos que ela afirma comprovarem gastos não contabilizados na campanha petista pela reeleição serão entregues agora somente à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. Em entrevista ontem à Folha, a ex-assessora financeira da campanha petista, Soraya Garcia, 32, afirmou que encaminhará ''em breve'' a Brasília uma agenda que acusa pelo menos R$ 2 milhões de despesas sonegadas, dos R$ 5,2 milhões que, segundo ela, não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral.
De acordo com Soraya, a agenda traz a relação de uma série de gastos de campanha desde abril de 2004 até o final do ano, de ''camisetas a café e móveis. Enfim, de tudo um pouco'', adquiridos com recibos e em dinheiro, nunca em cheque. Além disso, continuou a ex-assessora, as compras teriam sido feitas mediante o RG e o CPF de filiados, simpatizantes, coordenadores de campanha e participantes da administração municipal. ''O pessoal que coordenava a coisa tirava a nota da minha mão, mas eu anotava absolutamente tudo nessa agenda'', disse Soraya. A agenda conteria nas anotações entre 30 e 40 empresas.
Questionada sobre a razão de não ter entregue a agenda ao MP ou à PF, desde o início das investigações, há quase dois meses, foi taxativa: ''Porque é muita empresa para eles irem atrás. Vamos ver o andamento dos inquéritos (sobre as contas de campanha e recursos não contabilizados), aí pode até ser que eu fale com eles a respeito''.
A ex-assessora não estabeleceu data para entrega do material. Um dos subrelatores da CPMI dos Correios, o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR) também não especificou quando ela será ouvida pela Comissão. ''Não sabia dessa agenda, mas vamos conversar entre as subcomissões na quinta-feira (amanhã) para estabelecer. As programações dessa semana e da próxima já estão completas, em todo caso'', complementou o parlamentar.
O advogado da Executiva municipal do PT, João dos Santos Gomes Filho, desqualificou a denúncia de Soraya. ''Essa agenda não é prova de nada'', disse. Ele insinuou que a ex-assessora estaria agindo orientada por interesses políticos contrários aos dos petistas.

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