Ex-assessora denuncia caixa 2 de Nedson
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quinta-feira, 28 de julho de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Uma denúncia de caixa 2 na campanha de reeleição do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), no pleito de outubro de 2004, originou ontem quatro mandados de busca e apreensão nas residências do presidente do diretório municipal do partido e secretário de Gestão Pública, Jacks Dias, do diretor de Marketing da Sercomtel e tesoureiro do PT, Francisco Moreno, e do petista e diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Augusto Ermétio Dias Júnior. Os mandados foram solicitados pelo promotor substituto da 41 Zona Eleitoral, Sérgio Siqueira e concedidos pela juíza Oneide Negrão.
Segundo o promotor, ele foi procurado na noite do dia 27 por Soraia Garcia, que trabalhou na campanha de Nedson. Durante duas horas, ela prestou um depoimento que foi gravado em CD-ROM em que relata um suposto esquema de arrecadação e pagamentos realizados nos dois turnos da campanha do prefeito. ''Fomos procurados pela senhora Soraia Garcia, que disse ter sido filiada ao PT e que nas últimas eleições trabalhou para a campanha, primeiro como secretária e depois como assessora financeira. Basicamente, o que a senhora Soraia nos disse é que além do R$ 1,2 milhão declarados oficialmente, foram gastos pelo esquema de caixa 2, R$ 6,5 milhões'', relatou Siqueira. Na prestação de contas feita à Justiça Eleitoral, o PT afirma ter gastado R$ 1.361.577,23.
Siqueira justificou as solicitações de busca e apreensão devido à afirmação de Soraia de que algumas notas fiscais estariam em poder dos três petistas. ''Esse foi o objeto do mandado. Ela alegou que teria, na época, apanhado várias dessas notas mas que essas notas foram apanhadas posteriormente por membros da executiva'', disse. No entanto, nenhum documento ou nota foi localizado nos quatro endereços dois do secretário de Governo. ''Segundo a senhora Soraia, essas pessoas teriam poderes de gerência sobre o caixa de campanha. Seriam essas pessoas que captariam através de outras pessoas esses recursos e decidiriam sobre a finalidade deles. Agora é uma questão de simplesmente ver se é comprovado o que ela alegou. Ela foi muito minuciosa, falou o que foi comprado, de quem, por quanto. É uma questão de verificar'', afirmou.
Além do depoimento, Soraia entregou à promotoria uma agenda que conteria telefones de fornecedores, empresas e formas de pagamento utilizados durante a campanha. Tudo será entregue hoje para a Polícia Federal que deverá abrir as investigações. ''Como são crimes eleitorais as investigações devem ser feitas pela Polícia Federal. Devemos ter uma reunião amanhã (hoje) e vamos passar o material que obtivemos até agora, as declarações dela, agendas para que eles possam verificar os fatos que ela comunicou. Em princípio, temos só o crime de caixa 2, que prevê uma pena de multa pelo valor excedente ao declarado.''
No depoimento, Soraia ainda teria mencionado duas grandes doações não declaradas na prestação de contas. ''Ela fala que houve uma grande doação, em torno de R$ 1 milhão, mas sem conhecimento próprio, soube através de terceiros'', relatou Siqueira. A doação seria de uma grande rede supermercadista do Estado. Outra doação citada por Soraia seria da DNA Propaganda, do publicitário Marcos Valério de Souza citado como um dos operadores do mensalão. Ela relata que teriam sido encaminhadas 200 mil camisetas para a campanha.
Soraia ainda afirmou no depoimento que o prefeito tinha conhecimento do suposto caixa 2. ''Ela mencionou o nome dele (Nedson) mas ela não deu evidências diretas de tê-lo visto fazendo alguma coisa. Ela alegou que ele tinha conhecimento com base no que ela observava.''
Quando perguntada sobre os motivos da denúncia passados nove meses da eleição, ela teria alegado que teria ficado ''desgostosa''. ''Ela disse que ficou desgostosa quando as coisas começaram a tomar esse rumo. Ela pensou que fossem regras diferentes dos outros partidos'', resumiu o promotor.
LEIA ENTREVISTA DE SORAIA GARCIA NA PÁGINA 4.


