O depoimento de um ex-assessor do vereador Joel Garcia (PDT) com detalhes sobre supostas divisão de salário e combinação de depoimentos de testemunhas à polícia e à Justiça pode reabrir a instrução do processo no qual o parlamentar é acusado de peculato. O caso trata da suposta contratação de uma assessora ''fantasma'' no gabinete do ex-líder do prefeito Barbosa Neto na Câmara, investigação que rendeu a Joel, entre janeiro e março, 54 dias de prisão preventiva.
Segundo o delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, as informações prestadas recentemente por uma dessas testemunhas da defesa, o ex-assessor parlamentar José Dutra, apontam que os demais nomes arrolados para oitivas tanto no grupo quanto na 2 Vara Criminal de Londrina, no final de março, teriam combinado as versões com o então advogado do vereador, Maurício Carneiro.
De acordo com o delegado, as informações de Dutra, prestadas na forma de retratação, desmentem a versão de que Joel não teria mantido a suposta ''fantasma'' Angélica Alves Madeira no posto. O ex-assessor contou que o advogado teria feito ''diversas reuniões'' com os assessores tanto em seu escritório, na região central, quanto em um mercadão popular onde Joel comercializa produtos de hortifruti ''antes e após a prisão'' do pedetista. Esses encontros seriam coordenados ora pelo chefe de gabinete do vereador, o também denunciado Anílton Honorato, marido de Angélica, ora pelo advogado.
Dutra afirmou ainda que Carneiro orientaria as testemunhas da defesa a fornecerem ''pequenos detalhes diferentes'' que, no entanto, desmentiriam a suposta situação de ''fantasma'' de Angélica. Em uma dessas ocasiões, o advogado teria obtido de cada um deles a assinatura de um documento formal no qual asseveravam que a versão apresentada não havia sido feita sob orientação de terceiros. O documento consta do inquérito instaurado em janeiro com a prisão em flagrante de uma hoje ex-assessora de Joel por supsoto crime de falso testemunho.
Entre os detalhes contidos na retratação de Dutra, está ainda a suposta divisão do salário de Angélica, de R$ 1.080 mensais: segundo ele, metade, ou R$ 540, ficariam com o marido dela, a outra metade seria dividida em fatias de R$ 135 a outros quatro assessores - entre os quais, admitiu, ele próprio. Além de falso testemunho, garantiu o delegado, o inquérito vai apurar também se houve crime de falsidade ideológica.
Além desse inquérito, Flore ainda requereu ao juiz da 2 Vara Criminal, Délcio Miranda da Rocha, que as testemunhas já ouvidas sejam todas reinquiridas no processo da suposta ''fantasma''.
O advogado não atendeu as ligações da FOLHA - entretanto por telefone, à tarde, disse a uma emissora de TV que não defendia mais Joel, tampouco teria relação com o caso denunciado. O parlamentar estava com o celular desligado.

mockup