Ex-assessor quer divulgação de gravações
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quarta-feira, 03 de setembro de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Após o segundo depoimento prestado em pouco mais de uma semana, o ex-assessor parlamentar Luciano Ribeiro Lopes desafiou o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o candidato a prefeito Barbosa Neto (PDT) a divulgarem as imagens que supostamente mostrariam a extorsão praticada contra o pedetista no último dia 25, dentro da casa do deputado federal Alex Canziani (PTB).
''Gostaria que a gravação viesse a público, pois em nenhum momento foi tratado de dinheiro (de extorsão). A mulher do Alex me serviu lanche, a filha de 11 anos dele estava lá. O Barbosa pediu até desculpas para mim, e hoje vejo que era tudo uma novela'', declarou. Lopes passou quatro dias no Centro de Detenção e Ressocilização (CDR) após ser preso em flagrante, suspeito de ter exigido dinheiro do pedetista para não divulgar denúncias contra ele. O acusado foi assessor dos dois parlamentares presentes ao encontro que antecedeu a prisão.
O depoimento de ontem durou cerca de duas horas e meia e foi acompanhado pelo advogado do candidato, Marcos Kaimen. O advogado foi o primeiro a deixar a sede do Gaeco, sentenciando: ''Hoje (ontem) o Luciano se condenou definitivamente, não tem mais o que fazer na defesa dele''. Segundo ele, Lopes teria sido ''contraditório e evazivo'' ao tentar explicar por que aceitou a redução do valor recebido de Barbosa Neto, de R$ 500 mil para R$ 200 mil - por fim, o dinheiro apreendido com Lopes não passou de R$ 23 mil. ''Quem está subornando não diminui oferta, aumenta'', alegou o advogado.
À imprensa, o interrogado disse não haver qualquer contradição. Ele lembrou que já no primeiro depoimento ao Gaeco afirmou que o valor havia sido combinado com Canziani - intermediador da negociação - e que consentiu em receber menos do que o proposto inicialmente porque ''o Alex disse que não tinha condições de arcar com tudo''. ''Você acha que eu ia fazer crediário de extorsão?'', lançou. Conforme a versão de Lopes, o dinheiro foi oferecido para que ele trabalhasse indiretamente na campanha de Barbosa Neto e, posteriormente, ajudasse Canziani em uma candidatura para ''senador ou vice-governador''.
Questionado pela FOLHA se reafirmava ter sido subornado, Lopes disse que ''jamais assumiu isso''. Entretanto, sua primeira oitiva no Gaeco cita que ''diante da queda nas pesquisas eleitorais (...) os deputados Alex Canziani e Barbosa Neto procuraram o interrogado, oferecendo-lhe dinheiro para que as denúncias feitas por sua pessoa no passado não viessem a prejudicá-lo na campanha eleitoral''.
Sobre o depoimento prestado por Canziani no último domingo, o ex-assessor declarou: ''Ele teve a oportunidade de dizer a verdade e preferiu mentir''. Afirmou ainda que supostas escutas feitas em seu telefone não apontam crime nenhum e que a imprensa, o Gaeco e a Polícia Federal ''estão sendo usados''.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, comentou que o novo depoimento trouxe ''alguns detalhes a mais, mas nada significativo neste momento'' e que é prematuro disse se houve contradição. Ele afirmou que o conteúdo das gravações feitas pela própria ''vítima'' da suposta extorsão não pode ser divulgado, mas a princípio não traz um ''indicativo concreto'' da existência do crime. Ainda segundo Flore, caso as investigações apontem irregularidade praticada pelos deputados, o foro competente para apurá-la será o Supremo Tribunal Federal (STF).


