O fotógrafo Marcelo Caramori, mais conhecido como Tchello, que trabalhou como assessor da Casa Civil do governo do Paraná até janeiro deste ano, quando foi preso suspeito de participar de um esquema de exploração sexual de adolescentes, declarou em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que existem ligações estreitas entre o auditor da Receita Estadual de Londrina Márcio Albuquerque de Lima e Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), apontado em denúncia já aceita pela Justiça como mentor da fraude ao procedimento de dispensa de licitação para a contratação emergencial da Providence, oficina mecânica da qual Abi seria o verdadeiro proprietário.
Lima, por sua vez, é apontado como chefe do esquema que envolve pelo menos dez fiscais da Receita em Londrina, que cobravam propinas vultosas de empresários da região para fazer vistas grossas a casos de sonegação de ICMS. O auditor, que já foi o delegado da Receita de Londrina, teve a prisão decretada em decorrência da Operação Publicanos, mas não se apresentou e é considerado foragido. Abi também chegou a ser preso por ser o "cabeça" da fraude para contratar sua empresa, mas obteve habeas corpus do Tribunal de Justiça (TJ).
Em depoimento prestado em 5 de fevereiro, Caramori, que responde pelo crime de estupro de vulnerável, disse, ao fazer acordo de delação premiada, que Lima exercia "importante tarefa nesse esquema engendrado por Luiz Abi, já que foi nomeado pelo governador Beto Richa como inspetor geral de fiscalização", referindo-se à nomeação que perdurou até 2 de março, dois dias antes do cumprimento de mandado de busca e apreensão em seu gabinete, em Curitiba, e em sua residência.
Caramori disse ainda que Abi foi o responsável pela escolha de Lima para o alto cargo na Receita do Paraná, o que permitiria que auferisse altos lucros com o esquema de cobrança de propina. "Para colocar em prática os planos já referidos, escolheu Márcio Lima como inspetor geral de fiscalização (da Receita Estadual), sendo que, em decorrência deste cargo estratégico, possibilitaria a Luiz Abi e Paulo Midauar estabelecerem importante plano de ação, no sentido de possibilitar, a um só tempo, grandes lucros ao grupo de Luiz Abi e vultosa lesão aos cofres do Estado".
Paulo Roberto Midauar, réu no caso da fraude na contratação da Providence e investigado no esquema dos fiscais, é um empresário que seria dono de uma distribuidora de combustíveis em Bandeirantes e cuja irmã foi nomeada recentemente como chefe do Instituto Ambiental (IAP) de Cornélio Procópio. Considerado amigo próximo de Abi, Midauar segue preso.
Segundo o ex-assessor, Abi e Midauar "utilizavam empresas para deixar de recolher o ICMS devido aos cofres públicos ou então facilitavam a recuperação de créditos de ICMS". Caramori disse ainda que o fato de possuir uma distribuidora de combustíveis torna de "extrema importância seu contado direto com Luiz Abi e com cargos estratégicos junto à Receita do Estado". Porém, o suposto modo de ação da dupla não é descrito ou detalhado pelo delator.
Até agora, os promotores do Gaeco não confirmam influência direta de Abi no esquema de propina da Receita.

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