Supostas ''contribuições voluntárias'' e mensais de um ex-assessor de R$ 1.000, entre 2002 e 2005, e de R$ 1.500, no último semestre de 2006, são o novo foco de investigação do Ministério Público (MP) de Londrina contra o vereador afastado Orlando Bonilha (PR). O parlamentar já é réu em uma ação criminal que o acusa de concussão e formação de quadrilha juntamente com os vereadores Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC) mais o ex-vereador Henrique Barros (ex-PMDB), denunciados em janeiro passado de supostamente se aliciarem em prol de um esquema de cobrança de propina de empresários para agilização e votação de projetos de lei que os beneficiassem. Com essa ação penal, Bonilha é citado em nada menos que seis ações: três penais, onde a base da acusação é o crime de concussão, e três civis públicas por ato de improbidade administrativa originadas das outras três.
Dessa vez, a informação de que Bonilha cobraria valores de um funcionário não consta de denúncia - pelo menos, segundo o MP, não ainda: no último dia 13, data em que foi tomado o depoimento, a Promotoria instaurou novo processo investigativo que pode ou não desembocar em ação contra o parlamentar. A mais recente, de anteontem, foi distribuída ontem à 3 Vara Cível de Londrina e o acusa de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito por suposta cobrança de parte do salário de quatro assessores, entre 2003 e 2006, como forma de mantê-los nos cargos. Para comprovar o suposto ''modus operandi'', os promotores obtiveram da Justiça a quebra de sigilo dos funcionários em que seriam observados saques mensais, sempre nos mesmos valores.
No novo depoimento em investigação, e repassado ontem de manhã à Câmara de Vereadores pelo promotor Cláudio Esteves, o ex-assessor Antonio Scarpari Dametto, 70 anos, admitiu ter pago um terço do salário (R$ 1.000, no salário de R$ 3.400) ao vereador enquanto assessor de imprensa do Terminal Rodoviário de Londrina, entre junho de 2002 e janeiro de 2005 - posto para o qual fora indicado por Bonilha -, e proporção semelhante (R$ 1.500 de um salário de menos de R$ 5.000) ao parlamentar nos últimos seis meses de 2006. Nessa época, ele foi revisor da Câmara - posto indicado pela Presidência, então ocupado por Bonilha. Pioneiro na locução de rádio e TV na cidade, Dametto -mais conhecido como Antônio Marcos - foi homenageado pelo Legislativo em 2005 com o título de cidadão honorário, proposto por Bonilha.
Conforme o depoimento de Dametto, ao qual a FOLHA teve acesso, os valores não seriam pedidos de forma impositiva, pelo vereador, mas o seriam solicitados sob a justificativa de ajuda ''na sustentação de seu staff político''. Entretanto, o asssessor depôs ter aceitado o pedido ''sem nenhuma objeção, até porque achou legítima a pretensão de Bonilha'', uma vez que isso o auxiliaria a ''complementar a sua aposentadoria'', e, além do mais, encarava aquilo como uma espécie de ''contribuição (...) não obrigatória, mas voluntária''. Os repasses, segundo as declarações ao MP, seriam feitos somente a Bonilha, em envelope, no gabinete do vereador, após saque de conta-salário.
O procurador jurídico da Câmara, Airvaldo Stella Alves, informou que a comunicação protocolada pelo promotor será analisada conjuntamente com a representação que já analisa denúncia semelhante - a de suposta apropriação dos salários de quatro assessores. ''Apensamos as análises e as mandamos à Corregedoria da Câmara, e, creio, um fato pode servir de base ao outro: porque tanto faz pegar (dinheiro) de três, como de quatro, tudo é o mesmo sistema de locupletamento do vereador'', analisou Alves.
O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, disse não tido acesso ao depoimento de Dametto. ''Meu cliente não estava na cidade hoje (ontem); soube apenas extra-oficialmente desse assunto, mas, a princípio, não acho que essa cobrança possa ter existido'', declarou.

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