Ex-assessor de FHC pode abrir sigilo hoje
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de julho de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Ministério Público Federal espera receber hoje a quebra do sigilo de informações do ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas Pereira. Oferecida espontaneamente pelo ex-assessor do presidente Fernando Henrique Cardoso, a entrega dos documentos sobre seus telefonemas, renda e evolução patrimonial ainda não está confirmada. É com base nessas informações que os procuradores decidirão se convocam ou não Eduardo Jorge para depor no inquérito que investiga a obra superfaturada do fórum trabalhista de São Paulo.
A análise dos documentos, segundo procuradores envolvidos na investigação, deverá levar uma semana. A iniciativa de Eduardo Jorge, comentaram com interlocutores, deve acelerar o ritmo das apurações, já que o Ministério Público poderá pular toda a burocracia que envolve pedidos de quebra de sigilo. Enquanto isso, outros focos de investigação estão sendo abertos e os procuradores apuram agora a possibilidade de o ex-secretário ser o verdadeiro controlador da Montreal, uma das empresas que teria sido favorecida com contratos junto ao governo federal por seu intermédio.
Eduardo Jorge vai reunir-se hoje com seu advogado, José Gerardo Grossi, para discutir a estratégia de defesa. O encontro deve acontecer na capital federal. No Rio de Janeiro, os líderes dos partidos de oposição retomam a discussão da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a suposta participação de Eduardo Jorge no esquema que desviou R$ 169 milhões das obras do TRT.
Na avaliação de colaboradores próximos ao presidente, a entrega do sigilo do ex-secretário deve afastar o Palácio do Planalto do escândalo do fórum trabalhista. Isso contribuiu para a volta da racionalidade nessa discussão, comentou um ministro. O raciocínio do governo é que, ao abrir espontaneamente seus dados pessoais, Eduardo Jorge estaria dando prova de que não teme ser investigado nem tem nada a esconder da Justiça.
A expectativa é que o foco das apurações do Ministério Público seja deslocado para as atividades que o ex-secretário vinha desenvolvendo já fora do governo, preservando Fernando Henrique Cardoso de desgaste político ainda maior.
Nesta semana, a Advocacia-Geral da União (AGU) receberá relatório preliminar do escritório de advocacia norte-americano Arnold & Porter, contratado para rastrear o caminho do dinheiro desviado da obra do TRT, indicando quais deverão ser as primeiras ações para que o governo possa bloquear e identificar os bens do juiz Nicolau dos Santos Neto na Suíça e em Miami.
Nesses países já há uma pista concreta, é por aí que temos que começar, disse uma fonte do governo que tem acompanhado de perto o esforço federal para reaver o dinheiro.


