O ex-assessor de gabinete do prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), Luciano Lopes - que assessorou o prefeito em 2008, quando Barbosa exercia mandato de deputado federal - prestou depoimento ontem na Polícia Federal (PF) no inquérito que apura suposto racha de salário entre o então parlamentar e assessores, além da contratação de funcionários fantasmas. Lopes foi ouvido pela delegada Mirian Takano Omori durante duas horas, na primeira oitiva deste procedimento.
Ao deixar a sede da PF, o ex-assessor, que hoje trabalha no gabinete do vereador de Londrina Joel Garcia (PP), um dos principais opositores de Barbosa Neto, afirmou ter apresentado diversos documentos que comprovariam a irregularidade e que o ''esquema era semelhante ao que ocorria na Assembleia (Legislativa), que ficou conhecido como gafanhotos''. Ele trabalhou com Barbosa Neto no gabinete em Brasília em 2008, quando ficou sabendo dos supostos ilícitos. ''Não concordava com aquilo e depois que pedi exoneração fiz a denúncia na Procuradoria (Geral da República)'', disse, negando qualquer desavença política com o prefeito.
Lopes disse que tomou conhecimento dos fatos quando houve a necessidade de contratar mais pessoas para o gabinete, porém, não havia mais vagas devido a presença de ''fantasmas''. Num dos casos, segundo Lopes, um assessor do deputado federal Barbosa Neto, com salário de cerca de R$ 8 mil, ''mesmo com um dos maiores salários recebia na verdade uns 300 reais''. Ele disse que a esposa de Barbosa, Ana Laura Lino, ''ficava com o cartão bancário do servidor''.
O advogado do prefeito, Luiz Carlos Mendes, afirmou desconhecer qualquer inquérito evenvolvendo Barbosa Neto na PF. ''É impossível me manifestar, porque não sei qual é a investigação, qual é o objeto.'' A delegada Mirian Omori não falou com a reportagem.
Extorsão
Luciano Lopes foi preso em agosto de 2008 em Londrina, meses antes das eleições municipais, acusado de extorsão contra Barbosa Neto, na época, candidato. A prisão ocorreu quando ele saía de uma reunião na casa do deputado federal Alex Canziani (PTB), na qual Barbosa teria aparecido ''de surpresa''. Lopes, que foi detido com R$ 23 mil, alegou ''armação''.
O advogado Vinícius da Silva Borba, que acompanhou Lopes no depoimento na PF ontem, afirmou que não há elementos que comprovem que o cliente tenha tentado extorquir Barbosa. ''O Luciano pegou o dinheiro porque foi convidado pelo Alex para fazer uma consultoria.'' Borba afirmou que ''a armação foi feita pelo Barbosa e nem mesmo o deputado Alex sabia que aquilo (prisão) ocorreria ali''.

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