A exemplo dos ex-vereadores Orlando Bonilha e Henrique Barros, dois dos personagens que mergulharam o Legislativo londrinense na pior crise de sua história, o ex-assessor parlamentar do deputado Barbosa Neto (PDT), Luciano Ribeiro Lopes, também não viu completar uma semana o período de prisão em cela individual do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR). Preso em flagrante na noite de segunda-feira passada por suposto crime de extorsão, Lopes deixou ontem o CDR, às 19 horas, graças à liberdade provisória - com pagamento de fiança - concedida pela juíza substituta da 5 Vara Criminal, Zilda Romero. A taxa fora fixada inicialmente em 20 salários mínimos, mas foi reduzida a dois terços do valor em consideração à ''situação econômica do réu'': saiu por R$ 2.822.
No despacho, a juíza apontou que o provimento ao pedido de relaxamento de prisão ou de liberdade provisória com ou sem pagamento de fiança, solicitado pela defesa de Lopes, se justificaria porque ele ''não representa perigo para a sociedade e nem para o sucesso do processo penal''. ''Resta-se demonstrado que inexiste qualquer circunstância que indique que o requerente, uma vez solto, venha a evadir do distrito da culpa. A garantia da ordem pública, a conveniência da instrução criminal e o asseguramento da aplicação da lei penal quando da liberdade do requerente não estarão de forma alguma prejudicados.''
Lopes foi flagrado de posse de R$ 23 mil quando deixava a residência do deputado federal Alex Canziani (PTB). Em denúncia apresentada ao Gaeco e à Polícia Federal (PF), Barbosa dissera que o dinheiro seria extorsão praticada pelo ex-assessor, uma vez que Lopes o denunciou à Procuradoria-Geral da República e à Receita Federal, este ano. Em depoimento de cinco horas prestado na terça-feira, o ex-assessor negou essa versão: garantiu que fora buscar a verba prometida por Alex por ora pagamento de suborno, ora ''consultoria'' à campanha do pedetista.
Para amanhã, é aguardado o depoimento de Canziani ao delegado do Gaeco, Alan Flore, e ao promotor Cláudio Esteves. Conforme a FOLHA apurou - e a assessoria do petebista confirmou -, o deputado vai falar
no escritório de seu advogado, Maurício Carneiro, à Rua Belo Horizonte (Centro). Classificado pelo promotor e pelo delegado como peça fundamental no inquérito em curso, Canziani era aguardado no Gaeco desde quarta-feira, mas, desde então, teria tido de cumprir uma série de compromissos do partido (ele preside o PTB no estado) em diferentes regiões.
Indagado ontem pela reportagem, por telefone - ele deixou o CDR em silêncio -, sobre o que espera do depoimento do petebista, Lopes foi sucinto: ''Espero de verdade que ele explique que não houve extorsão''. Questionado se recebeu visitas no CDR, esta semana, o ex-assessor novamente foi econômico: ''Não autorizei nenhuma visita''. Ele ficou na mesma cela ocupada por Bonilha em junho passado.

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