Depois de se retratar no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em junho, de versão apresentada à Justiça Criminal em março, o ex-assessor do vereador Joel Garcia (PDT) José Dutra reforçou ontem em juízo a suposta manutenção de assessora fantasma, no gabinete do pedetista, no primeiro semestre do ano passado. Além de Dutra, também foi chamada para depor a procuradora jurídica da Câmara de Londrina, Michelle Bazo. Tanto Joel quanto a suposta ''fantasma'', a ex-assessora Angélica Alves Madeira, quanto seu marido, o ex-chefe de gabinete do vereador - afastado do posto pela Justiça desde 2 de agosto -, Anilton Honorato, estiveram presentes à audiência perante o juiz da 2 Vara Criminal, Délcio Miranda da Rocha.
A instrução do processo de peculato foi reaberta pelo juiz a pedido do Gaeco, após a retratação de Dutra. Foi por conta desse caso que, entre janeiro e março, acusado de supostamente tentar cooptar testemunhas, Joel ficou preso durante 54 dias.
Na saída do depoimento, de óculos escuros, boné e a jaqueta sob parte do rosto, Dutra resumiu que dissera ''só a verdade''. ''Que ela (Angélica) nunca trabalhou.'' Sobre o motivo de ter voltado atrás no que depusera, explicou: ''Porque antes eu seria demitido (o que ocorreu em abril deste ano). Depois disso, não teria mais esse risco''.
O advogado de Joel, Alexandre Aquino, alegou que ''já esperava'' a confirmação da acusação, a qual, ressalvou, ''tem que ser vista com reserva''. ''O Dutra deu outro depoimento e se contradisse inúmeras vezes, a prova é totalmente isolada - temos quatro testemuhas dignas de fé'', afirmou Aquino, que requereu ao juiz, já com aceitação do Ministério Público (MP), reinquirição do vereador.
Para o promotor do Gaeco, Cláudio Esteves, os depoimentos de ontem foram positivos. ''Juntaremos com os depoimentos tomados anteriormente e às demais provas que ainda estão sendo produzidas, que constituem um conjunto importante e suficiente para essa ação penal'', declarou Esteves. Sobre o motivo da procuradora da Câmara ter sido chamada a depor - ela saiu do depoimento e disse apenas estar ''surpresa'' com a situação -, o promotor resumiu: ''A chamamos nesse contexto de avaliação frente a elementos indiciários coletados que não tínhamos no momento de sua inquirição''. A reportagem apurou que uma das razões seria o fato de a procuradora já ter trabalhado com o ex-advogado de Joel Maurício Carneiro.
Após a audiência, o juiz ponderou que ainda avaliará se Joel será novamente ouvido. Indagado se mudanças de versão são comuns, como no caso de Dutra, Rocha explicou: ''Esse tipo de situação não nos surpreende, porque as circunstâncias para as pessoas envolvidas nos processos mudam, principalmente quando há envolvimento político, em que tudo é mais volátil - mas no primeiro depoimento ele (Dutra) prestou apenas como informante''.

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