Ex-assessor apresenta ao MP comprovantes bancários
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segunda-feira, 14 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Um comprovante de saque bancário de pouco mais de R$ 440 extraídos da conta do ex-assessor Paulo César Brito em setembro de 2005, e outro, de transferência eletrônica no mesmo valor, no mês seguinte, para conta corrente do vereador Paulo Arildo (PSDB), são as novas pistas do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na investigação sobre suposta divisão de salários dentro do gabinete do tucano. O material foi protocolado por Brito no início da tarde de ontem ao promotor Renato de Lima Castro, que, na sexta passada - conforme a FOLHA noticiou em primeira mão, no último sábado -, tomou o depoimento dele e do ex-colega de gabinete Edson Baratto. Na ocasião, ambos, na condição de intimados, declararam ter repassado respectivamente R$ 440 e R$ 500 dos vencimentos mensais de R$ 1.050 e R$ 1.300 como condição para se manterem empregados nas funções de assessor parlamentar, e, no caso de Baratto, também como chefe de gabinete. Em depoimento prestado ontem ao Gaeco, Arildo alegou ter feito ''empréstimos pessoais'' aos assessores por se tratar, ele próprio, de uma ''pessoa muito caridosa''.
Nos depoimentos da última sexta, Brito relatara supostamente ter dividido parte do salário com Arildo entre 2005 e 2006 nos saques feitos da própria conta no Banco do Brasil - à agência localizada na prefeitura - para posterior pagamento ao tucano ou à esposa dele, Valéria Vieira. Em determinada oportunidade, reforçara, tal repasse se fizera mediante transferência eletrônica para a conta por meio da qual o parlamentar recebe o salário de pouco menos de R$ 5 mil (líquidos) da Câmara, na Caixa Econômica Federal (CEF).
Conforme a reportagem apurou ontem, contudo, o ex-assessor teria apresentado comprovantes bancários de transferência entre contas do Banco do Brasil. No depoimento prestado à tarde ao promotor Cláudio Esteves, o vereador disse que disponibilizaria ao Gaeco o sigilo de todas as suas contas -no Banco do Brasil, no Itaú e na Caixa. Já Baratto, que, também, intimado, contou na sexta que teria ''rachado'' parte (R$ 500) do salário (de R$ 1.300) e presenciado outros três assessores fazerem o mesmo para se manter no cargo, dentro do próprio gabinete, não encaminhou ontem nenhum tipo de material ao MP.
'Empréstimos pessoais'
Inicialmente cauteloso - ele pretendia falar individualmente com cada repórter presente ao prédio do Ministério Público (MP) -, Arildo atribuiu a suposta perseguição política as declarações dos dois ex-comissionados. O tucano alegou que fazia uma série de ''empréstimos pessoais'' de R$ 500, R$ 1.000 e R$ 1.500 àqueles e a outros assessores que trabalhavam consigo, recurso que declarou provir ora de atividades como representante de uma revenda de mel, ora como de uma empresa de medicamento, ora do próprio salário de vereador.
''Esses empréstimos eram feitos conforme a necessidade dos assessores, e não só desses dois. Esses valores que eles citam são uma inverdade, nunca depositaram nada na minha conta'', declarou. Em outro momento da coletiva, arrematou: ''Eu emprestava e, conforme a disponibilidade de pagamento, lhes entregava. Só não deixava acumular (a dívida), mas sempre fui uma pessoa caridosa''. No depoimento formal, porém, o parlamentar admitiu se, salvo engano, Brito teria teria efetuado um desses supostos empréstimos ''por transferência bancária''.
Também à imprensa, Arildo afirmou que levantaria documentos e cheques para encaminhá-los ao MP, da mesma forma que teria repassado, ontem, outros materiais para análise da Promotoria - que ele não quis especificar o que era.
Conforme o depoimento, o vereador apresentou fotos dos dois ex-assessores contidas no site do empresário Marco Cito, filiado ao PDT, suposto pré-candidato a vereador. ''É o tipo de documento que não ajudou em nada. De resto, ainda é cedo para avaliar o que será feito - mas outros depoimentos deverão ser tomados, na medida em que se fizerem necessários'', comentou o promotor Cláudio Esteves.


