Ex aprovam a idéia de permanecer no cargo
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Mari Tortato 
Sucursal de Curitiba
A possibilidade de reeleição no cargo que ocupa é um instrumento que governante nenhum despreza. Se a Constituição garantisse esse direito há mais tempo, quem já foi governador ou prefeito não esconde que entraria em campanha para mais quatro anos de mandato.
Afastado do dia-a-dia da política, o ex-senador e ex-governador José Richa (PSDB) diz que hoje não disputaria reeleições e lembra que rejeitou a hipótese de ficar mais oito anos no Senado. Ele perdeu uma eleição para o governo em 90, mas se fosse permitido, entraria em campo por mais quatro anos, quando terminou seu governo, em 1987. Nos quatro anos, não consegui terminar vários programas, como o da eletrificação rural, de estradas vicinais e de manejo integrado de solos, relaciona.Para quem tem um bom planejamento de governo, quatro anos é um mandato muito curto, garante.
Outro derrotado na tentativa de voltar ao poder depois de quatros anos que deixou o cargo, o ex-governador Álvaro Dias também afirma não ter dúvidas de que buscaria a reeleição enquanto ainda estava no poder se a lei permitisse. Como os demais, Dias se prende aos desempenhos de pesquisas de popularidade e aprovação.
Richa diz que na revisão constitucional de 93 votou contra a reeleição. A proposta estava mal redigida e nós rejeitamos para evitar confusão, para que o Nelson Jobim desse um novo texto, o que não aconteceu, lembra.
O ex-prefeito de Curitiba, Maurício Fruet, tem outra versão para o estouro da proposta da reeleição na Constituinte de 88, que ele integrou. Foi o Sarney (o ex-presidente José Sarney) que complicou tudo, ao negociar seus cinco anos de mandato, garante.
Toda a discussão foi dirigida para um regime parlamentarista, mas quando Sarney acabou conseguindo os cinco anos, o Congresso derrubou a tese da reeleição para evitar que o futuro presidente ficasse dez anos no cargo, o que seria um exagero.
Fruet foi o último dos prefeitos biônicos - indicados pelo governo - em Curitiba. Governou apenas dois anos e sete meses e diz que na época tinha um excelente desempenho em pesquisas para legitimar seu mandato com uma eleição. Ele diz que só buscaria isso nas urnas, mas é contra a reeleição. Para ele, em até quatro anos um bom governante consolida seu projeto de governo.
Não é o que pensa Valter Pegorer. A reeleição é um instrumento democrático de primeira ordem, diz o ex-prefeito de Apucarana. Se o administrador vai bem, o povo tem o direito de reconduzir; se vai mal, o povo tira, resume. Ele afirma que um governante demora de um ano a dois para tomar pé da administração e que só lhe sobra metade do tempo para executar seus planos que, muitas vezes, precisam de reavaliações e correções de rota.


