Cerca de 3,5 mil pessoas de 16 estados brasileiros e um grupo da Argentina, se reuniram ontem em Londrina, no ginásio de esportes Moringão, no 4º Encontro Nacional de Fé e Política. O evento, que será realizado até hoje, conta com a participação do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e do chefe de gabinete da Presidência da República, que veio representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Gilberto Carvalho. Ambos fazem parte do Movimento de Fé e Política, que promove o encontro, e participaram ontem da abertura. O ministro ainda participou do debate, com o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, e com monge beneditino, Marcelo Barros, sobre o tema ''Utopias da fé e realidades da política''.
''A política precisa da fé como uma provocação permanente de aperfeiçoamento. A fé é aquele instrumento que nos diz que nunca o que você está fazendo na política é suficiente. A imensa maioria dos políticos brasileiros não praticam a política com coerência. A fé na política é a política praticada com coerência, com consequência, com dedicação aos excluídos e como serviço ao povo e não como carreira'', disse Carvalho, que participa do movimento desde a sua fundação, há mais de 20 anos.
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), que também participou da abertura do encontro, também acredita no envolvimento entre fé e política. ''Eu milito nas pastorais sociais da Igreja, milito na política, mantenho a minha fé, participo ativamente da igreja e sinto que isso me fortalece tanto na política quanto na fé. (Política e fé) combinam, é a vida humana, com a sua dimensão da luta cotidiana, pelo bem estar das pessoas, da articulação dessa luta, que é a política, e a dimensão divina, que é essencial para o ser humano'', declarou Nedson, que também participa do movimento desde sua fundação.
Hoje, o assessor especial da Presidência da República, Frei Betto e o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduino, debatem ''Mística e Espiritualidade'', no Moringão, às 9h30. ''O movimento promove este encontro para ajudar os militantes cristãos a refletir a sua atividade política, principalmente a dimensão da ética, e também para fortalecer a fé desses militantes. Esse é o objetivo do encontro'', complementou Frei Betto. Também será realizada hoje uma homenagem a dom Paulo Evaristo Arns, que não poderá estar presente devido a problemas de saúde.
Os participantes anônimos do 4º Encontro de Fé e Política chegaram a Londrina com o objetivo de fortalecer suas convicções. É o caso de Maria de Lourdes Moraes de Azevedo, 59, coordenadora do serviço de ação social da Igreja Imaculada Conceição, em Mamborê (36 km ao sul de Campo Mourão). ''A comunidade ainda não aceita a mistura entre fé e política. Quero aprender mais para mostrar que a política é feita por todos. Jesus Cristo foi um grande político'', afirmou.
Vindos de Biritiba Mirim (interior de SP), o casal Rosângela, 38, e Dorival Falotico, 42, são integrantes da Pastoral Afro do município e tinham o mesmo objetivo da participante paranaense. ''Na nossa cidade, esses dois aspectos ainda não se misturam. Queremos ter claro o que a Igreja diz sobre a política para trabalharmos com a comunidade'', afirmou Dorival. De Rondonópolis (MT), Pedro Rodrigues, 28, chegou ao encontro com ideais elevados. ''Só é possível mudar o mundo com a união da fé e da política. É por isso que estou aqui.''

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