Evento do PMDB defende ruptura com PT e Temer no lugar de Dilma
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Gustavo Uribe e Daniela Lima<br>Folhapress 
Brasília - Evento tido como o primeiro passo para a ruptura do PMDB com o PT, o congresso da Fundação Ulysses Guimarães, centro de estudos do partido, tornou-se palanque ontem de discursos favoráveis ao desembarque imediato do partido da gestão Dilma Rousseff e contrários ao programa econômico lançado pelo vice-presidente Michel Temer. Em plenário, no qual os microfones foram abertos para os peemedebistas fazerem críticas ao governo federal, dirigentes e parlamentares da tendência oposicionista da legenda pregaram a substituição de Dilma por Temer e culparam a administração federal pela atual crise econômica. Em discurso, o ex-ministro Geddel Vieira Lima avaliou como um erro o partido ter apoiado a reeleição da presidente no ano passado e considerou que ele se transformou em compartícipe de um "estelionato eleitoral". Segundo ele, o governo federal não cumpriu promessas de campanha eleitoral como a redução dos juros e o controle da inflação.
"O impeachment ou não impeachment não depende da gente, mas tem algo que depende. Não é o afastamento da Dilma Rousseff da Presidência da República, mas o afastamento do PMDB dela, para que possamos construir um partido que tenha discurso", disse. Em linha semelhante, o deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS) avaliou que o país está à beira de uma "depressão econômica" e defendeu o afastamento da presidente do Palácio do Planalto. "Nós achamos que do jeito que está não dá e achamos que o Michel Temer está preparado para assumir o pós-impeachment da Dilma Rousseff", disse. "Se não houver essa mudança em até seis meses, o país vai piorar. Ou vocês acreditam em mudanças com o sistema que está no Palácio do Planalto?", questionou.
Apesar da tentativa do vice-presidente em conter as críticas contra o programa "Uma Ponte para o Futuro", que propõe medidas econômicas contrárias às adotadas pelo governo federal, o documento partidário sofreu ataques de peemedebistas. Em discurso duro, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que rejeita de forma "completa" e "absoluta" as medidas econômicas e afirmou que, pelo teor conservador, documento não seria redigido nem pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nem pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "O documento é submisso a uma política global de dominação e a precarização do estado e do trabalho. Esse documento não representa o PMDB", disse. "É um documento pior do que as piores posições do Levy e do PSDB", acrescentou.
Na abertura do congresso, o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moeira Franco, tentou amenizar as críticas ao documento e ressaltou que ele não é definitivo e que sofrerá alterações até a convenção nacional do PMDB, em março. Temer usará o congresso para fazer um novo apelo pela reunificação do país em nome da superação da crise econômica. Na última vez em que defendeu o engajamento das diversas forças políticas na superação da crise, o peemedebista incomodou aliados da presidente que viram no gesto dele uma tentativa de se colocar como o agente capaz de promover essa união. Segundo aliados, Temer vai reconhecer a gravidade da situação das contas públicas, defenderá a adoção de remédios amargos para reajustar a economia e endossará as propostas feitas no programa de governo lançado em outubro pela Fundação Ulysses Guimarães.
'NÃO DESEMBARCA'
O vice-presidente Michel Temer avaliou como natural que a legenda realize essa discussão, mas ressaltou que a sigla não desembarcará da administração federal. O peemedebista pregou a necessidade de, diante do atual cenário de crise econômica, haver uma "pacificação" e uma "unificação" no país. Segundo ele, os partidos políticos têm neste momento de pensar na união nacional "para não dividir o país". "Isso é natural (debate sobre desembarque). Nós temos de colaborar com o país e, mesmo as pessoas que querem a saída do governo federal, querem colaborar com o país", disse. "(O PMDB) não vai sair", acrescentou, ao ser perguntado sobre a possibilidade de ruptura com o PT.
CUNHA VAIADO
Vaiado por um grupo de militantes antes de iniciar seu discurso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que o PMDB "não pode se calar" em troca de "meia dúzia de carguinhos" e que chegará o momento de a sigla decidir sobre o desembarque do governo Dilma Rousseff. "Nós não participamos, não formulamos e não temos compromisso com aquilo que está sendo colocado [pelo governo]", disse Cunha. Ele afirmou que "ninguém tem dúvida de que o PMDB lançará candidato em 2018, mas que a legenda "não vai poder se furtar a debater no momento oportuno qual será o seu caminho". Cunha se notabilizou como um crítico do governo federal, mas ficou fragilizado após uma série de denúncias de envolvimento em casos de corrupção investigados na operação Lava Jato. Assim que ele subiu ao palanque do congresso do PMDB, uma militante gritou "fora Cunha" e, antes de seu discurso, houve uma vaia. Ele concluiu a fala sem outros incidentes.


